Morangos Rebeldes e Professores Chanfrados

Caros leitores, o tema deste post, para além de vir desfasado da realidade em termos cronológicos, vem tambem ligeiramente fora de época para com a regularidade habitual deste espaço.

Por ambas as situações, deixo aqui a minha profunda e sentida indiferença – afinal de contas, não é como se pagassem para ler isto, logo está-se bem 🙂

Conforme se devem ter apercebido, a demagogia de hoje debruça-se sobre ao actual estado de coisas no generation gap nacional, cada vez mais vincado, e no crescente movimento de indignação causado pelo que se intitula de ensino nos dias de hoje.generation_gap

Eu quero desde já admitir aqui que não fiz virtualmente qualquer pesquisa e que, como a maioria dos portugueses, recebo as minhas informações directamente da fonte, a tv. Ocasionalmente folheio pasquins, mas apenas com objectivos lúdicos, ou em busca das palavras cruzadas ou cartoon do dia.

Ou seja, os dados mencionados podem estar, ou não, apoiados numa qualquer realidade estatística (que posso desconhecer), mas não são menos verdade por isso. A tv ditou e eu prestei atenção. Mas para apimentar as coisas, resolvi transformar isto numa sessáo do Jogo da Verdade, com direito a explicação da resposta 🙂

Assim sendo, quero começar por felicitar o governo por não ceder uma vírgula contra esses parasitas da sociedade que são os professores. Todos e quaisquer que sejam, lecionando ou não, com ou sem cátedra. Professores em geral. O próprio nome indica alguem que professa, que pela semelhança com profeta, é por si só deveras arrogante e ofensivo, e deveria ser digno de suspeita e escárnio (no mínimo) ou humilhação e apedrejamento públicos (no máximo).

É… Mentira. O professor deveria ser objecto do mesmo respeito que os alunos têm aos pais – um aluno que não respeita os pais não vai certamente respeitar os professores. Mas atenção, respeito e medo são coisas muito diferentes.

Como todos sabem, os professores são pessoas que nunca aprenderam a trabalhar e, como tal, foram para o ensino, (quem nunca ouviu "Quem sabe faz, quem não sabe ensina"?)de forma a toldarem as vistas de quem manda, fazendo-se mais importantes do que são, grangeando um imerecido respeito, mercê do título que precede os fracos nomes que possuem.

É… Mentira. O professor é a base da relação que o jovem vai ter com a 101207_professor aprendizagem, e minar o seu estatuto é minar a própria capacidade do aluno de aprender e elaborar o seu próprio raciocínio crítico. Diminuir o professor é fazer pouco da educação, por isso não se pode exigir que os alunos depois a tenham ou a demonstrem.

O professor é uma criatura mesquinha, da família das baratas, que teima em confundir as mentes das crianças com pedagogias confusas, sistemas obsoletos e matérias desinteressantes, obrigando as mesmas a recorrerem a dispendiosos explicadores para conseguirem o aproveitamento mínimo, e chegando por vezes ao extremo sádico de impedir a progressão mais que merecida dos jovens, no seu rumo a uma inevitável vida de sucesso.

É… Mentira. Os professores são confrontados, ano após ano, com novos programas, cada vez mais extensos, por exigências ministeriais, frequentam seminários, fazem cursos de aprimoramento das vertentes pedagógicas, tudo para melhorar a qualidade do ensino numa época em que cada vez se quer fazer mais com menos tempo, sendo o objectivo último desta estratégia a apresentação de quotas de aproveitamento escolar equiparadas às comunitárias, a qualquer custo, que incluem passagens mandatórias, administrativas e até pressões pelo grupos que avaliam o docente.

O professor (tambem denominado de Terrorista do Ensino, Hitler das Escolas ou Carraça da Educação) é permanentemente confrontado com formas novas de ensinar mas recusa-se, sistematicamente, a aplicá-las, não vá o novo esquema afectar o cuidadoso sistema de aulas pré-preparadas que guarda desde o 1º ano que lecionou, e qual lhe permite trabalhar apenas meia dúzia de horas por semana (vá, uma dúzia), gozar todas as férias lectivas (que são para cima de muitas) e ainda as estivais, pasme-se!!!

professora É… Mentira. O professor raramente tem tempo para acabar o programa do ano, dada a vasta lista de alterações propostas no ano anterior, lida com manuais recomendados na óptica do interesse das editoras, e fora as 20 a 25 horas semanais de aulas (sem contar com aulas de substituição, estudo acompanhado, área de projecto e actividades extra-curriculares não remuneradas) ainda tem de preparar as aulas, criar e corrigir testes adequados aos alunos, estar disponível para esclarecimentos a alunos e pais, acompanhar os alunos em visitas de estudo, que podem até ser ao fim-de-semana, e, segundo o actual plano, ser animador cultural e promotor do "Magalhães", com férias lectivas plenas de reuniões de turma, pedagógicas e outras e somente o mês de Agosto como intervalo.

Para culminar este chorrilho de defeitos merecedores de castração no pelourinho, recebem regiamente, como se de facto trabalhassem, e, senhores doutores que são, recusam-se terminantemente a ser avaliados, sistema justérrimo proposto pelo governo, de forma a separar o trigo do joio, o bom professor (existirá de facto?) do reles e comum verme intestinal que é, obviamente, a larga maioria…

É… Mentira. Os professores que recebem um valor vagamente equiparado às agruras que sofreram e ao desgaste psicológico que suportaram, estão em fim de carreira e pertencem já a uma geração na reforma ou pré-reforma. Os actuais, por entre depressões e baixas psiquiátricas, terão uma progressão dependente não de parâmetros objectivos, como a qualidade de ensino, que sempre existiram no antigo modelo de avaliação, mas sim de factores como as notas dos alunos, o que propiciará o facilitismo para ser bem avaliado, ou a opinião dos pais sobre o seu desempenho, altamente subjectivo e o equivalente táctico a pôr Israelitas a zelar pelo bom funcionamento das insituições palestinianas.

E esta, meu amigos, é, em termos gerais e muito pouco exagerados, a imagem vendida pelo Ministério da Educação, na pessoa da Mui Ilustre Senhora Ministra Cujo-Nome-Não-Se-Pode-Mencionar (porque o mau olhado espreita em cada esquina da net…), e repetida em cada escola, em cada reunião de associações de pais, em cada cantina, e depois espalhada pelo país, com a conivência tácita da comunicação social, até criar o processo de crescente insatisfação da educação em Portugal.

Porque, lamentavelmente, ninguem quis jogar este jogo e só ouviram as afirmações. Ser verdade ou mentira foi irrelevante.

professor Por razões pessoais, sei bem que a percentagem de verdade das frases a laranja que escrevi acima é desprezável, de tão ínfima. Mas isto não só porque conheço a realidade de ser professor, porque o fui, porque privei com muitos, mas tambem porque ainda fui aluno numa altura em que o professor era respeitado, e já fui professor numa fase em que não mais o era, mas sobretudo, caros leitores, porque aprendi em tenra idade a questionar os pressupostos assumidos, a duvidar as certezas da sabedoria popular, a analisar os aforismos e a circundar as críticas cegas, para ver o que escondiam por detrás da mandíbula forrada a preconceitos afiados.

Mas o que eu sei é indiferente para o comum tuga, que cada vez mais, de tanta informação que o cerca, se vê reduzido, por razões logísticas, a ler "as gordas", a conhecer cada tema como um seixo atirado conhece o lago em que resvala, e a achar que o mundo é a sombra na parede da caverna…

Admito, é difícil ser pai, nos dias que correm, contactar diariamente com o fantasma do insucesso escolar e não ter a tendência, admitidamente natural, de apontar o dedo para todos os lados menos a si ou aos filhos, sendo que os professores são o equivalente balístico a um alvo do tamanho de um celeiro, restando à educação que começa em casa, a grandiosidade de uma gotícula de orvalho nas costas de um ácaro.

ferreiraleite_piscaolhoMas tambem era bom que a opinião Gisellepública em geral  admitisse que o professor do mundo real tem tanto em comum com o dos media como a Giselle Bundchen tem com Manuela Ferreira Leite – os cromossomas estão lá, mas os cromos de uma são infinitamente diferentes dos somas da outra…

Não quero aqui dizer que só eu vejo em terra de cegos, que felizmente não é o caso, e muito triste seria se assim fosse, mas por vezes a verdade é um lugar solitário, sem amenidades nem água corrente, que nos força a ceder do que temos para mendigar sobrevivência onde ela prolifera, no reino de quem manda e decide.

Seria por demais fácil cair numa acintosidade igual à da crítica social e apontar o dedo ao governo, aos ministros, aos secretários de estado, a DRELs, DRENs e outras DREs, e continuar a seguir o percurso do martelo que, tombando, bate cada vez mais forte, até que no fim da sua luta inglória com a gravidade, o maior lesado é o mais fraco elo da cadeia, o crítico, o professor.

Mas por isso mesmo deixo as críticas para o bom senso, e sigo para bingo…

O que nos trás ao tema dos alunos, esses grandes lesados do sistema de ensino (novamente segundo os media), que acabam por não saber o que fazer com o pouco tempo que lhes é dado para decidir o que querem ser quando, um dia, crescerem…

O aluno hoje em dia é permanentemente objecto de análise, pelos pais, pelos professores, pelos psicólogos, pelos explicadores, pelas associações de jovens, pelas grupos a que pertencem, pelos seus pares e, invariavelmente, pelos meios de comunicação social…

tiago27 O jovem da Geração Morangos (ou Rebelde Way, depende se tem crista ou cabelo à Pin-y-Pon) é uma amálgama de contradições, como todos os jovens antes dele o foram, mas de uma forma aprimorada, elevando a novos patamares a futilidade da juventude ser desperdiçada nos jovens…

Este jovem é, por definição, o ultimate fashion victim, ou em português corrente, uma casca vazia de originalidade. Ele sente a necessidade absoluta de pertencer a um grupo, de possuir uma etiqueta pessoal que o identifique para além das marcas que exibe orgulhosamente, conquistadas com muito suor pelos pais, de forma a sustentar a presença do dito indivíduo juntos dos seus colegas, "amigos" e afins.

Este futuramente (espera-se) útil membro da socidade, precisa de saber  a que geração Sumol pertence, se é beto, rapper, tigresa, dread, rasta, grunge, skater, beebop, rockabilly, gótico, emo, punk, surfer, (já disse beto?), badboy ou simplesmente parvo… E digo-vos, não é nada fácil, sobretudo se em casa não existe controlo – o jovem pode facilmente navegar por entre todos estes grupos, em busca da sua identidade cultural (ou falta dela), com gastos incomportáveis para os pais em roupa, maquilhage235m e acessórios – e, surpresa das surpresas, no meio de tanta preocupação de integração social, o estudo é capaz de sofrer qualquer coisinha…

Esta imagem rebelde é de uma vacuidade atroz, sobretudo se pensarmos que para ser rebelde é preciso sê-lo contra alguma instituição, governo ou ditadura – mas o 25 de Abril já lá vai, vivemos em democracia, a qualidade de vida nunca foi tão elevada, o acesso a bens de consumo tecnológicos está em máximos históricos, o poder destes jovens sobre os pais é total – "dá-me já porque todos tèm menos eu, porque senão conto que me violas, porque senão grito até vir a SIC, porque senão mato-me e ficas a sentir-te culpado a vida toda, porque quem manda aqui sou eu"… Logo, rebeldes contra quê?

Só se for contra os professores, que os impedem de estar permanentemente no intervalo e passarem já de ano… Esses pulhas, eles que me tocassem no telemóvel que eu lhes dizia…

É certo que até James Dean foi rebelde sem uma causa, mas era um filme, que diabos, uma metáfora para uma juventude perdida e sem rumo – mas hoje, o que não falta são rumos, o que falta são timoneiros… Pais, dêem um passo à frente. Mostrem-lhes os limites, e ajudem-nos a descobrir o seu próprio caminho.

E fica para outra divagação a geração que está a ser "gerida" pelo pais, a dos futuros futebolistas, actores e actrizes, modelos e apresentadores de televisão, cantores e cantoras, e celebridades em geral, que optaram pela via profissionalizante, se assim se pode dizer… Porquê estudar quando se pode ter muito mais, por muito menos?

A todos o meu bem haja pela vossa paciência e uma excelente noite.

Fiquem bem 🙂

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Os Genéricos são a solução

Caros bloggers, está a querer parecer-me que tive mais uma das minhas patenteadas revelações aquando de uma passagem mais demorada pelo vale dos lençóis.

Apesar do que o título possa inspirar em vós, não se trata de qualquer diatribe vacuosa sobre medicamentos ou sobre o papel cada vez mais risível do Infarmed nas nossas vidas biológicas.

Pois, vou antes falar do poder das molduras e dos normativos sociais e morais que teimam em querer regular as nossas vidas.

Já repararam certamente que nenhum relacionamento afectivo com outro ser (vamos limitar aos humanos, aqui, por razões de espaço…) está isento de ser opinado pela sociedade circundante, num misto de rótulo-mágico com ignorância engarrafada.

Eu exemplifico, para os que ainda não estão lá…

Imaginem que conheceram alguem, que as coisas por uma irónica volta manwomanbed_450x300 do destino duraram mais de uma noite, e que há algo a ser interpretado.

De repente, aquele ser que partilhou convosco algumas horas (sejamos optimistas…) especiais reveste-se de uma nova e aliciante característica: a não-transitoriedade-imediata, ou, em termos politicamente correctos, tornou-se não-reciclável e/ou descartável.

E agora?

Mandam os bons costumes que se ligue no dia seguinte, com uma qualquer desculpa esfarrapada (para não dar parte de fraco, claro…), como um item esquecido na casa do individuo que forneceu o espaço para o fortuitismo, ou até o menos clássico "Estou com uma comichão esquisita na zona das virilhas… Tens algo para me dizer?". Naturalmente que este último poderá ter menos sucesso na cativação da outra pessoa que o primeiro…

Mas isto, claro, apenas para esconder que queremos estar com a pessoa novamente, pior!, que ela nos marcou positivamente de tal forma que nos sentimos compelidos a ceder a vantagem de jogar em casa e ligámos nós!!

Aliás, se entrássemos aqui neste género de assuntos, muita tinta tinha de correr sobre os jogos de sedução que se praticam desde o tempo da Guerra do Fogo (do saudoso Jean-Jacques Annaud…), em que ambas as partes se degladiam com esquemas retorcidos em que se diz o que se mostra necessário para parecer bem, mal, interessado, desinteressado, excitado, com dor de cabeça, feliz ou amuado, consoante a relação o determine, sob pena da mesma perder o charme, ou pior, cair na rotina dos casamentos.

Observem este vídeo ilustrativo dos bem menos complexos rituais de acasalamento da pré-história, e já continuamos…

Nos casos dos casais dos dias de hoje que utiilizam os actuais recursos estilísticos, a vida é um jogo constante, em que não se pode ceder terreno, mesmo que isso implique magoar, ferir ou mentir despudoradamente, uma vez que o resultado em caso de mau desempenho nessas tarefas é a outra pessoa ganhar primazia sobre nós e dominar a relação.

Confrontamo-nos então com o dilema da grande maioria dos relacionamentos amorosos: se dissermos verdadeiramente o que sentimos estamos a expor-nos desnecessariamente a várias mazelas nefastas, como o escárnio, a chacota, o insulto, a indiferença ou, ainda mais grave, a não-reciprocidade.

Mas, perguntar-me-ão vocês, pobres imberbes, se o nosso ego depende deste jogo, que hipótese teremos nós senão jogá-lo?

Pois bem, surpresa, não temos. De todo. Mesmo. A sério a sério.

Está comprovadérrimo que é perfeitamente possível (ainda que  cheatingwomenestatisticamente improvável, tal como a possibilidade de vos sair o EuroMilhões seis semanas seguidas…) que encontrem alguem que não joga, não por não saber, mas por sentir que o jogo é uma arte extenuante, sem sentido, com maus resultados, e que exaure sem excitar, que dirime sem divertir.

Essa pessoa especial poderá, hipoteticamente falando, detectar no vosso semblante a mesma intenção. Nesse momento mágico, similar em espectacularidade à destruição do Anel de Sauron nas fornalhas de Mount Doom, uma energia infinita transformará o vosso cinismo empedernido num optimismo irritante, que não só vos permitirá entregarem-se verdadeiramente como garantirá a reciprocidade desse poderoso sentimento.

E tudo graças ao poder curativo da verdade, do ser genuíno, da negação do jogo.

Não mais terão de pensar o que quererá ela ouvir, o que pensará ela de facto do vosso gosto para roupas, o que sentirá ela quando se amam apaixonadamente num descampado…

TellTheTruth Vocês saberão, porque ela, meus amigos vai dizer-vos, mas mais importante, vai mostrar-vos, vai permitir que o leiam nos seus olhos, gestos e semblante, na atitude e na voz, na postura e no sorriso.

A vida a dois é uma das coisas mais complicadas que existem, admitidamente, mas quando resulta, seja com que fórmula for, sem prejuízo da felicidade de ambos, é um milagre do canudo…

E isso trás-nos ao nosso tema.

Quando alguem se encontra nesta situação, o mundo teima em tentar enquadrar-nos numa qualquer categoria, para que as mentes mais conservadoras se sintam minimamente confortáveis (nada é tão desagradável como o que não tem nome…), e essas categorias são-nos eminentemente familiares. Passo a demonstrar:

    1. Curte – Cena manhosa que não é nem deixa de ser, não obriga a grandes cuidados de manutenção, é auto-sustentada pela fome transitória que ambos têm um do outro. Há muita adrenalina, muito suor, muito contacto, muita respiração ofegante – como no rugby, mas ganham os dois. Dura geralmente pouco (dias, semanas…) sob pena de se tornar o nº2.
    2. Namoro – Aqui as coisas já piam mais fino, as mãos andam dadas com mais frequência, galam-se pelo telefone, por sms, por mail, trocam-se bilhetinhos, há vontade de estar com mesmo sem a possibilidade de uma valente queca. Pode durar algum tempo (semanas, meses, anos…) e, se a situação não destrambelhar em algo de piorzito, nalguns casos evolui (ou involui, depende da perspectiva…) para o nº3.
    3. Noivado – Neste momento há já o equivalente a um contratomarriage verbal, com troca de sinal, geralmente de material ferroso e  brilhante, que garante, à partida, a materialização futura (mas nunca muito distante) do passo seguinte, o nº4. Este período é geralmente acompanhado de suores frios e noites passadas em claro, mas não pelas mesmas razões dos felizes ignorantes da classe 1…
    4. Casamento – O melhor, ou pior, aconteceu. As duas partes resolveram assumir perante o mundo (nalguns casos tambem perante o Deus da sua predileção) que pretendem ser apenas uma parte, e que ficam contratualmente autorizadas a procriar, sem qualquer tipo de controle, com o objectivo final de deixarem uma prole de fazer inveja a qualquer profeta do antigo testamento. Quando tal não acontece, a sociedade escrutiniza o casal e inquere sobre a razão de tal infortúnio. Se tal for voluntário, a dita família social repreende-os severamente. Se não, sugere alternativas, como a adopção, a inseminação artificial ou o suicídio. Este estado pode durar uma vida inteira, alegadamente, caso em que o primeiro que morrer ganha o jogo.
    5. Divórcio – Inexplicavelmente, apesar do clima de alegria e falta de pressões e expectativas irrealistas do nº4, por vezes a situação transforma-se em algo de irreversivelmente insustentável e ambas as partes resolovem minimizar as perdas e fugir para as montanhas, geralmente em direcçóes  opostas. Quando tal acontece após a procriaçáo, a prole tende a ter de acompanhar um dos contemplados nesse êxodo ism virtual, sob pena de perderem as vantagen económicas associadas à pensão de alimentos. Quando, pelo contrário, não houve incremento de massa humana, os felizes separados têm apenas de dividir o espólio dos tempos da guerra (nº4) e das negociações iniciais (nºs2 e 3). Este estado tambem pode durar a vida inteira, mas com muitos casos reportados de criminosa reincidência do nº4 (uma espécie de Alzheimer que só ataca o senso-comum afectivo).

Ou seja, segundo as regras do jogo, impostas ao longo de milénios pela sociedade, se não estivermos numa destas situaçóes estamos a viver à margem da moldura "penal", por assim dizer, das relações, ditas, normais.

Excluí deliberadamente as unióes de facto, as poligâmicas, as com animais, as incestuosas e as de fantasia, por isso não aceito reclamações.

Mas voltando ao assunto, e quem não se revir nestas categorias?

Pois bem, eu proponho um estado alternativo, que substitui todos os anteriores, o RG, ou Relação Genérica.

Caracteriza-se pelos seguintes sinais:

  1. Felicidade em full-time
  2. As discussões não são monstros nem tabus
  3. O que houver para dizer diz-se
  4. O que houver para sentir sente-se
  5. Pode-se sentir saudades e dizê-lo abertamente
  6. Pode-se não sentir e não ter que mentir
  7. Mentir é uma perda de tempo
  8. Está-se quando se quer estar
  9. Os amigos não são varridos para debaixo do tapete
  10. Os ciúmes injustificados são uma piroseira atroz

E é tão simples como isto.

Claro que há algumas nuances importantes, como encontrar alguem que de facto alinhe no esquema, mas tirando esse detalhe de somenos importância, certamente que, com estas dicas encontrarão tambem o vosso quinhão de paraíso.

E digo tambem, caros leitores, porque pela minha parte, sinto que já lá estou. Um comprometimento descomprometido, uma constante inconstância e uma previsível surpresa dia após dia.

Sem stresses nem pressões, sem exigências nem obrigações, sem molduras nem enquadramentos (legais ou outros).

Parece bom demais? Mas não é, é apenas melhor a cada dia que passa, ao contrário de outras relaçóes da concorrência, que teimam em perder qualidade com o avançar da carruagem…

Vivam mais. Mintam menos. Amem muito.

Genéricos forever 🙂

Apreciem o poder libertador da sinceridade e fiquem bem…

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Pode-se fazer… Mas é proibido

Caros leitores, após uma longa sabática, que incluiu umas merecidas férias num afamado empreendimento hoteleiro na Madeira  (das quais podem consultar algumas fotos no hi5), eis-me de regresso a "este doce país que é Portugal, pequeno na Europa, grande e dilatado nos outros continentes" (prémios para quem souber de quem é esta pérola).

O tema de hoje é deveras bipolar, susceptível de reflexão fácil mas de conclusão difícil, e tem duas modalidades (como convém), uma de cariz sério e pesadote, e outra, de menor peso neuronal e até, atrevo-me a dizer, algum humor.

Como sei que são pessoas ocupadas, direcciono-vos já para o da vossa preferência: se querem ranger os dentes, leiam o primeiro (identificado de forma arbitrária por mim como 1), se preferirem sorrir experimentem o segundo (abaixo descrito como deux).

Em alternativa, se sofrererm de esquizofrenia ou outro tipo de perturbação esquizóide, recomendo-vos a leitura de ambos, por ordem ou não, sendo que para os mais Marcelos de entre vós parece de indicar o visionamento alternado, na diagonal, no intervalo entre uma romance proustiano e um livro de memórias políticas – dizem que estes textos vão bem com vinho branco e uma lagosta suada. 

Exaurido o prefácio, e a paciência dos leitores, vamos a coisas sérias.

1

Como todos se devem ter apercebido, Portugal deixou de vez a infância da República e a adolescência do Comunismo incipiente da Abrilada, para entrar de peito feito na idade adulta de verdadeiro país desenvolvido (mas de 3º mundo, ainda assim, que precoces, precoces, mas com juizo…).

irresponsible Nestas últimas semanas, o banditismo (organizado, pro, semi-profissional, amador e associativo dançares e cantares) descobriu o que já todos sabíamos mas tínhamos medo de proferir: a segurança nacional e o sistema penal são como meninos de coro a fugir do Bibi. 

Desde assaltos a bancos (mal sucedidos), com reféns, com negociadores, com snipers, com o G.O.E. em peso a rodear uma xafarica, com ordens de atirar a matar, passando por assaltos melhor sucedidos a gasolineiras, ourivesarias (com mortos e feridos), a mais bancos, a farmácias, a uma carrinha da Prosegur (trabalho muito elogiado pelas forças de segurança que o classificaram de "muito bem executado e profissional"), culminando ontem no homicídio do presidente do grupo internacional "Os Mosqueteiros" e "Intermarché", Portugal tem vivido numa lufa-lufa de crime violento.

A comunicação social fez o seu papel, mostrando a todos que não existe segurança, que a actuação da polícia é ineficiente (e em muitos 04_chop_sueycasos tambem insuficiente), que o Ministério da Adminsitração Interna anda a ver passar comboios (que esses os bandidos ainda não  assaltaram), que o nosso Primeiro é omisso e taciturno, e que o PR ainda está a fazer a digestão dos jogos olímpicos (que esta fartura de medalhas que trouxemos de lá caiu mal com o Chop-Suey de Gambas e Caril…).

Ou seja, a comunicação fez o que faz de melhor: criou mais alarmismo, mais pânico, mais medo, mais desconfiança, mais ansiedade e mais stress em todos os portugueses – afinal de contas, se vende jornais e espaços publicitários nos intervalos do telejornal, não podemos ver isto como uma coisa má…

lavriccartoonjoey Responsabilidade social da imprensa?

Foi de férias para um qualquer destino paradisíaco e só volta se encontrarem a Maddie a limpar o sebo aos pais com uma máscara de hóquei.

Prescisão do sensacionalismo barato em contraponto com o jornalismo de investigação rigoroso?

Temos rigor, mas está a levar porrada nas traseiras de uma escola, que os "bullies" das audiências não fazem férias lectivas.

Assim, temos, neste momento, o maior número de crimes violentos num mês desde sempre (se excluirmos os séculos da conquista do Condado, e mesmo esses tinham mais correcção…), e, como tal, vários peritos, dos mais variados campos da vida social e política, sairam dos seus apartamentos em condomínios privados para explicarem às massas (dita ralé) as razões para este triste estado de coisas.

Ora escolheram a visão social (injustiças, desigualdades, aumento do custo de vida, taxa de desemprego, precariedade do núcleo familiar, nível médio de escolaridade…), ora a política (deficiente atenção dada pelo M.A.I. à criminalidade violenta, poucos fundos assignados às forças policiais, permissividade da legislação, código penal pouco coercivo…) até à análise do trabalhos das polícias (falta de coordenação, de meios, de efectivos, de formação…).

Não ouvi, até à data, nenhum dito perito apontar baterias para a verdadeira causa. Nem unzinho.

Sabem, em 1953, perguntaram a Sir. Edmund Hillary porque motivo teimava em querer escalar o Everest e ele explicou placidamente "Porque ele está lá. ("Because it’s there", no original)"

Essa é, de uma forma metafórica, a causa deste incremento inusitado de criminalidade violenta no nosso pequeno cantinho da Europa: porque se pode.

Pode-se por todas as razões dos peritos, e por mais algumas, mas sobretudo porque no nosso país existe um sentimento prevalente de impunidade, em que o comum cidadão tem mais a temer do seu Estado do que o criminoso, que ora escapa pelas malhas do sistema, (que conhece como ninguem), ora recebe penas de tal forma desajustadas pandorado delito que só apetece mesmo dizer que o crime compensa…

E os criminosos acordaram agora para esta verdade – e como Caixa de  Pandora, uma vez aberta, não há força no mundo que a feche, só a podemos (quanto muito) acorrentar um pouco, a ver se saem menos monstros de lá de dentro… 

Ou seja, pode-se fazer?

Pode.

Mas é proibido?

É.

E o que lhes acontece?

Nada.

O R.A.P. é que a sabe toda, é um visionário…

Mas animemo-nos, que não são tudo tristezas…

2 (deux)

Andam a circular pelas nossas televisões uns belíssimos anúncios que, de alguma forma, subscrevo, na tal óptica da dualidade e complementaridade, a tal noção bipolar que só o marketing engenhoso consegue revelar no seu melhor.

Caso ainda não tenham visto, vai aqui o 1º spot (em português "mancha", o que é por demais apropriado), do detergente para roupa Skip.

Apreciem e já conversamos.

Entenderam a mensagem? Certamente que sim. Afinal de contas não é difícil, é mais uma daquelas que é feita de encomenda para a Geração Morangos (futuramente a Geração Rebelde… esperem para ver).

Ou seja, os pais (mais as mães, convenhamos…) são castradores e teimam em dar cabo do juizo aos meninos para que não se sujem, para que sejam atinados, que as roupas de marca dão-se mal na gravilha e na madeira do half-pipe, quando afinal estão apenas a ser crianças, que diabos!

E toda a criança tem como direito universal sujar-se (segundo a Skip, GIBI_CASCAO que eu andei a reler a Declaração de Direitos Universais do Pirralho e não vi nada que se assemelhasse, mas deve ser da minha idade avançada…).

Mais, não só tem direito como é bom.

Aliás, é mesmo recomendado pelas principais marcas de máquinas.

E quem são os pais para contrariar a Whirlpool, a Zanussi ou a Ariston?

Ninguem, obviamente.

Na sequência deste anúncio despesista mas a apelar ao Gepeto que há em todos nós, vem um outro com uma mensagem irrevogavelmente antagónica (à partida pelo menos) mas indubitavelmente mais ecológica.

É de um sumo de frutas tão fresco, mas tão fesco que tira mesmo o calor do corpo da pessoa. Alegadamente.

Observem. Faço perguntas logo de seguida.

Viram bem a mensagem? A Compal é que a sabe toda. Qual Protocolo de Kyoto, qual quê – o aquecimento global combate-se é de garrafinha de sumo em riste, e o calor que se cuide!

Em termos gerais, a parte realmente engraçada vem naquela brilhante sequência de falácias semi-admissíveis, em que se diz que "se suas menos, tomas menos banhos", ou, por outras palavras, só se toma banhos se se suar mais, o que faz dos que o tomam com mais regularidade (fora desta lei inabalável do suar…) uns irresponsáveis, directamente implicados no aquecimento do planeta até se tornar numa esfera em chamas.

Por outras palavras, se és mesmo um puto da Geração Morangos (perdão, Rebelde…) que te preocupas bué com o planeta, tipo, uma cena bué de má, que é a camada da zona, e cenas, então estás cheio de sorte – em vez de reciclares mais, gastares menos, desperdiçares menos e seres ambientalmente responsável, bebe antes mais sumo, que a Terra agradece – vá lá, jovem tu sabes bem que isto faz todo o sentido!PIG

Ou seja, moral da história, o Compal vai de encontro ao Skip na ideia do "É bom  sujar-se", se bem que na óptica do "É ecológico ser porco", mas já destoa na atitude de insustentável desperdício de água do Skip (que encoraja desde aumentar exponencialmente o número de lavagens – bruxo – até deixarem o puto chafurdar naquela poça que podia matar a sede a milhares de sudaneses…), água essa que o Compal reitera ser o nosso recurso mais importante – até porque precisam dela para fazer mais sumo – no fundo todos ganham 🙂

E no fim de tudo, em que ficam os jovens Rebeldes? Sujam-se ou não?Se sim, tomam banho ou não? Se sim, bebem sumo ou não? Se sim, quem é que ganha com isso? O planeta? O ambiente? As crianças?

Nah.

Ganham os pais, que enquanto os putos decidem não têm de levar com eles, naturalmente.

E os anunciantes.

E os porcos que vão começar a beber Compal nas suiniculturas. Porque é bom sujar-se.

Fiquem bem 🙂

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Maddie vs Quinta da Fonte

Se pelo título não estão a ver o tipo de texto que aí vem, é porque não têm andado atentos a este nosso Portugalito, cada vez mais como os grandes, onde injustiças flagrantes e tiroteios à luz do ida são tão comuns como respirar.

Ah, um aviso à navegação: por ter tido queixas de que os meus posts são demasiado longos e tal e quê…

Ouvi de facto as vossas críticas e, como tal, resolvi agir em conformidade, conforme poderão comprovar pela dimensão deste texto.

Considerem-se avisados e grato pela vossa opinião. 🙂

De volta ao assunto, admitidamente, ainda não entrámos no triste estado de apatia em que vivem, por exemplo, os Nova Iorquinos, onde é preciso algo de realmente novo para os abalar, mas para lá caminhamos.

Notem o avanço exponencial da nossa capacidade de adaptação às coisas…

Quando a Maddie "desapareceu", (digamos "desapareceu" porque dá 14_MVG_maddieposter para tudo…) a 3 de Maio do ano passado, o país consternou-se. Noticiários foram interrompidos de forma imprópria, transeuntes foram inquiridos com questões irrelevantes, testemunhos foram recolhidos a pessoas em todos os cantos do mundo apenas por terem dito que teriam visto a pequenina, rios de tinta (e de dinheiro) foram gastos e pagos por donativos angariados à custa de inocentes almas que só "queriam ajudar aqueles pobres pais" a reencontrar a sua menina, estabelecimentos comerciais exibiam fotos e pedidos de ajuda para www.findmadeleine.com, pessoas choravam nas ruas, era uma verdadeira tragédia…

Pouco importava que ela tivesse levado chá de sumiço, na melhor das hipóteses, pela mais pura negligência de uns pais que, apesar de serem médicos, inteligentes e esclarecidos, achavam, como muitos britânicos, que deixar os miúdos pequenos em casa enquanto se vão divertir está perfeitamente bem – mas note-se, o nosso Ministério Público nem se lembrou de abrir um processo de negligência, que esse sim, tinha tudo para ganhar…

Os mesmo pais que depois se veio a saber (mas por pouco tempo, que article-0-01E4028200000578-174_468x286 estas vozes foram caladas) que poderiam pertencer a um circuito de swingers, alguns com ligações a células pedófilas.

Os mesmo pais que mudaram o seu testemunho, o de amigos e o seu registo de atitude em relação ao processo vezes e vezes sem conta.

Os mesmos pais que antes de ligarem para a policia fizeram umas dezenas largas de chamadas para outros números (misteriosos e que ficaram por identificar) na fatídica noite.

28_MHG_mun_mccann Os mesmos pais que ora elogiaram o empenho da polícia portuguesa ora passaram a encará-los como inimigos figadais, tal como fizeram com a imprensa nacional, que só não os carregou em ombros no início do caso porque não pôde.

Os mesmos pais, que mais tarde se veio a suspeitar, teriam tido mais do que culpas por negligência…

Algumas (muitas) vozes opinaram que os McCann poderiam ter causado, ainda que acidentalmente, a morte da pequena Maddie (que a mãe insistia em chamar de Madeleine, não fosse apegarmo-nos à miúda… ela obviamente não o era lá muito), quer num acesso de violência, quer por sobredosagem medicamentosa (que os miúdos destas idades teimam em não querer dormir e deixar os pais irem para os copos com os amigos…), quer por intervenção de amigos do casal, por Maddie ter visto algo que não devia, as teorias sucederam-se a rtimo vertiginoso.

O facto é que houve , pelo menos, 10 coisas estranhíssimas que ficaram por explicar:

  1. Os cães ingleses (os canídeos mesmo, não a imprensa deles nem Cadaver-1-s_2 os MacCann ou o seu porta-voz, quero clarificar…) detectaram odor de cadáver na carrinha alugada pelo casal quase 1 mês depois do "desaparecimento", na zona vazia do pneu sobressalente… Coisa estranha… Terá o rent-a-car alugado a Scenic previamente à máfia de leste?
  2. Amostras de DNA mitocondrial (feminino) foram encontradas em cabelos ensaguentados na mala do mesmo veículo, lamentavelmente "demasiado degradadas" para servir como prova inegável – ainda que para a maioria dos peritos os 15 alelos comuns encontrados fossem suficientes para condenar Cristo, mas enfim…
  3. Os testemunhos dos amigos foram sucessivamente desbastados por contradições grosseiras, mas nem isso foi suficiente para condenar fosse quem fosse… Afinal de contas, os media ingleses respiravam sobre o delicado pescocinho dos investigadores portugueses e não se queriam ferir susceptibilidades…
  4. O porta-voz do governo britânico abandonou o seu lugar enfadonho e de baixo perfil para passar a ser… porta-voz do McCann, aparentemente pro-bono e sem quaisquer ganhos pessoais ou profissionais – não pode ter sido pelo protagonismo nem para achincalhar os portugueses, certamente…
  5. Uma testemunha chave identificou o próprio pai de Maddie como o 785fe87ehomem que transportava a criança, aparentemente adormecida, na dita noite, não na direcção em que os amigos do casal indicaram à Judiciária, mas na oposta,… vá-se lá saber porquê…
  6. O inspector responsável pelo processo foi afastado no preciso dia em que se ia recolher o testemunho acima (ok, admitidamente o apêndice piloso sub-nasal não o ajudou, por isso o retirou entretanto…) – aqui se vê o poder de uma máquina política bem oleada.
  7. Apesar da gigantesca-mega-ultra-hiper operação de resgate, e já passado um ano,  nenhuma pista sólida foi encontrada no sentido de que Maddie alguma vez tivesse sido levada para fora do país por qualquer indivíduo, pedófilo ou não… Será que não havia nada a descobrir?
  8. Até a Rainha Branca das Crónicas de Nárnia mostrava mais calor Reg_1973_11 KateMcCannES2311_468x570 humano do que Kate – aliás, as parecenças são inegáveis, com algum benefício para a personagem de ficção…
  9. Nenhuma criança portuguesa teria tido a mesma atenção se o caso se tivesse passado no Reino Unido – aliás, boa sorte em apresentarem a queixa num país que lidera os rankings mundiais de desaparecimentos de menores.
  10. Nenhuma criança portuguesa teve alguma vez uma fracção da atenção dedicada à Maddie por parte de quem quer que fosse – ao menos nisso a miúda teve sorte – finalmente atenção de alguem, que dos pais realmente…

Ao dia de hoje o caso foi, como seria de calcular, arquivado "podendo 1_61_012008_McCannSuspect Ringo_Starr[1] no entanto ser reaberto se sugirem provas pertinentes que justifiquem a sua reabertura…". Apesar do circo que se criou para fazer correr os investigadores (em que se inclui um retrato robot dum elemento dos Beatles, em 67…), nada aproximou os peritos da verdade. Reabertura possível… Parece uma mensagem de esperança? Mas não é. Não siginifca nada. Nickles batatóides. Rien de rien. Zip.

Estes casos são assustadoramente comuns em todo o mundo, e apesar do mediatismo apenas justificado pelo marketing engenhoso e o capital social e de influências dos McCann, o de Maddie pouco tinha de diferente. Feitas as contas, os média portugueses foram usados como fonte de desinformação, a polícia mero objecto de poder dos ditos media e das pressões de um país estrangeiro, (na pessoa de embaixadores, ministros e supostos "peritos" nestes casos), o nosso próprio país ficou mal visto por se ter tentado apurar a verdade em relação às patentes contradições dos McCann e Cia., os pais portugueses que viram os seus  filhos desaparecer em circunstâncias similares Rui_Pedro235sentiram-se mais descansados (afinal de contas, se nem com o mundo inteiro à procura se encontram as crianças, é porque a culpa não é nitidamente da polícia…), os McCann estão mais ricos um milhão e tal de euros (que alegadamente só usarão para encontrar a Maddie) e a vida continua para todos (menos , possível e lamentavelmente, para a dita menina…).

Moral da história:

Actual interesse dos portugueses na Maddie: zero.

Expectativa de reabertura antes da segunda vinda de Cristo: zero. 

E isso traz-nos, admiravelmente, ao caso da Quinta da Fonte, em Loures, onde na semana passada houve algumas altercações (muito ligeiras por sinal) entre muitos elementos da comunidade cigana e de uns poucos indivíduos de etnia africana.

As imagens que se seguem, quer creiam quer não, não foram filmadas na Favela da Rocinha nem na do Alemão, e reflectem um lado de Portugal que teimamos em não querer ver.

Vejam e depois continuem a ler.

  

Foi certamente surpreendente para o Portugal esclarecido descobrir que existem conflitos no mais profundo seio de Loures, sobretudo num bairro calmo como o da Quinta da Fonte, que faz a Cova da Moura parecer um sítio pacato.

Mais surpreendente ainda que uma comunidade que geralmente é cumpridora das leis, dos bons costumes, asseada, respeitadora da propriedade privada e alheia, e bem integrada na nossa, como é o caso da cigana (tambem gosto de zíngara ou zéfira, e do sempre clássico romanii) se tivesse envolvido, e quiçá causado, (n)os ditos incidentes.

E ainda mais razão de surpresa é o facto de que, desta feita, as queixas de violência sobre pessoas, vandalização de propriedade privada e roubo de itens vários, foram apresentadas pela dita comunidade, e não contra ela.

Ah, e no meio de tudo isto, ouviram a medida de coacção? Prisão preventiva? Pulseira electrónica e prisão domiciliária? Nah. Apresentações periódicas. Há que ser pedagógico…

Por esta altura, o leitor já deve estar a pensar que entrámos no reino quinta da fonte 2 da ficção-científica – como será sequer imaginável que alguem tenha conseguido, (por intermédio de retórica de calibre militar, é certo, mas ainda assim…), assustar e criar um sentimento de respeito e salutar medo, nos indivíduos identificados pela polícia, e em muitos outros que a nossa polícia não conseguiu (lamentavelmente…) identificar?

Numa época em que parece não haver justiça no nosso país, e sobretudo no que concerne à dita comunidade, eis que um outro grupo de minoria étnica disputa abertamente o direito à existência e aos lucros provenientes de fontes duvidosas, dirão alguns.

Sim, porque a justiça portuguesa tem medo da comunidade cigana, digamo-lo com frontalidade. Quem diz a justiça diz o comum cidadão. Os que não têm medo poderão ter uma imagem menos benéfica dos indivíduos dessa etnia. Justa ou injusta é questão de debate, mas a imagem existe.

Verdade é que uma comunidade, qualquer que ela seja, é vista pela sociedade que a envolve sempre, mas sempre, como o reflexo que os seus membros lançam sobre os que os rodeiam.

E se há ciganos que trabalham por conta de outrem, ou mesmo por conta própria, com rendimentos declarados genuínos, com estabelecimentos (diga-se imóveis) de venda ao público, membros activos da comunidade em que estejam inseridos, bons vizinhos, bons pais de família e cidadãos respeitadores, não haverá muitos portugueses que conheçam estes exemplos.

Mas leiam esta notícia que pode ajudar a ver o outro lado da questão.

Regra geral, se se perguntar a um português que trabalha, desconta, paga uma renda brutal com os aumentos da Euribor, tem filhos a estudar e tenta acompanhar a escalada do custo de vida, o que pensa dos ciganos que recebem o Rendimento Mínimo Garantido (qualquer que seja o seu nome esta semana…) a resposta vai, invariavelmente, para conceitos negativos.

Aliás, as exigências apresentadas pelos líderes dessa comunidade durante a semana reuniao_ciganospassada, que vão desde escolher as casas para onde querem ir morar (e cito "sem pretos ao pé"), até ao facto de não admitirem sequer regressar às deles, mesmo com escolta policial "por razões de segurança…", com ameaças a manifestações em peso em frente à C.M. de Loures, vindos de todo o país, entram no reino da intimidação pura, apenas compreensível pelo facto de que o conceito que faz funcionar esta etnia é a força numérica, com que resolvem normalmente os seus conflitos.

Aliás, é perceptível o tipo de mentalidade de alguns destes indivíduos pelo facto de que tentaram ocupar outras casas, após os tiroteios, arrombando-as, tendo de ser expulsos pelas forças de segurança – a ilegalidade dos seus actos deveria ser desculpada pelas circunstâncias, alegaram. Se só o fizessem nestas circunstâncias talvez fosse…

Apesar do que diga o senhor do S.O.S. Racismo sobre a atitude das quinta da fontebmp outras pessoas (a quem os ciganos chamam "brancos", como aos de etnia africana chamam, sem qualquer pudor, "pretos"), a verdade é que as vítimas da violência raramente são os ciganos.

Mas neste caso, com tiroteios à luz do ida, gravados em alta-qualidade por vídeos amadores, onde são perfeitamente identificáveis pelo menos 15 pessoas armadas com equipamento bélico ilegal (quer por falta de licença, quer por negarem tê-lo quer por ser de calibre militar), onde a propriedade furtada era tudo menos de baixo valor (como seria expectável em famílias detentoras de rendimentos mínimos, incluindo tudo, desde plasmas e lcd’s, passando por consolas de última geração e aparelhagens de hi-tec, isto dito pelos próprios…), onde as casas arrombadas eram pertença da Câmara e das quais pagavam rendas a rondar os 5 euros, onde (e isto admitido por oficiais camarários) é frequente os membros da dita etnia danificarem eles próprios os imóveis para solicitarem realojamento por falta de condições, é difícil o comum cidadão empatizar com a situação…

  

Porque haverá ali, certamente, famílias isentas de culpas, quer ciganas quer africanas, apanhadas no fogo cruzado (literalmente) de duas etnias que não querem fazer parte da comunidade portuguesa, apenas beneficiar das suas lacunas sociais, da boa vontade do seu povo e da brandura da sua justiça, mas essas famílias têm um inferno pela frente.

O de convencer Portugal que são diferentes. Mas isso faz-se com acções produtivas, tentativas de integração no país hospedeiro (e não ao contrário, por mais estranho que pareça…) e uma atitude positiva em relação aos seus vizinhos.

Caso contrário nem vale a pena tentar, e a Quinta da Fonte vais ser apenas o primeiro de muito exemplos de uma guerra que ninguem vai poder parar…

Moral da história:

Actual interesse dos portugueses nos conflitos étnicos: cem.

Expectativa de firmeza por parte da justiça portuguesa: zero.

Ganham as etnias – mas somente por serem novidade – e ainda poderem ter bom desfecho, talvez…

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Malta esclarecida…

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Falar sobre YouTube – Brandi Carlile – The Story

 

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YouTube – Brandi Carlile – The Story
Brandi Carlile The Story(c) 2007 SONY BMG MUSIC ENTERTAINMENT

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Gasois com e sem auditivos

Caros seguidores deste blog, o tema de hoje é por demais pertinente.

Não só é actual, na berra e de bom tom, como já tão amplamente discutido (até por profissionais da discussão, diga-se em abono da verdade) como é absolutamente essencial que eu, um opinion-maker de última geração, me veja na obrigação de deixar tambem os meus 2 cêntimos de opinião.

Refiro-me naturalmente aos recentes (e não tão recentes) aumentos do preço dos combustíveis, alegadamente por razões do ratios de oferta/procura do ouro negro a oil_rigentrar no campo dos números imaginários, com os maiores produtores (e aqui devia ler-se distribuidores / processadores / recicladores ou o que for, porque quem produziu o petróleo, segundo sei, foram os dinossauros, as plantas e uma pipa de outras coisas que tiveram a fineza de morrer há uma data de milhões de anos e depois de levar com uns valentes biliões de toneladas de terra em cima, deixar-se marinar e pumba) a alegarem dificuldades no fornecimento/extracção do dito líquido escurinho que teima em desaparecer a uma velocidade alucinante.

Na realidade, os dados mais recentes apontam para um esgotamento das jazidas de petróleo entre 20 a 100 anos a contar de ontem, dependendo de quem pagou o estudo.

Este números seriam alarmantes se por acaso alguem acreditasse neles com algum tipo de fé – no entanto, a situação é levada um pouco na descontra por todos os que deveriam estar de facto preocupados (estilo nós, que estamos bem tramados se ele se acabar nos próximos anos) e de forma menos descontraída pela OPEP e outros senhores que vivem da nossa dependência do vil visco.Dodo1

O facto é que eles estão a ver o seu monopólio sobre o mercado a  atingir uma fronteira evolutiva, como a que levou à extinção de tantas espécies no passado do planeta, fazendo que o agiota da banha do dinossauro se torne, muito em breve, no novo dodo: parvo, tosco e extinto.

Assim sendo, qual estará a ser a preocupação destes senhores?

Vejamos as opções, e deixo-vos adivinhar a escolha deles…

  1. Aproveitar os últimos anos de jugo para devolver algo ao planeta, investindo em R&D de tecnologias alternativas, que permitam a toda a humanidade escapar de dependência do petróleo?
  2. Gastar todo o dinheiro que amealharam em especulação imoral, numa orgia de excessos, comprando mansões, jactos, hoteis, ilhas e clubes de futebol?
  3. Admitir que o petróleo vai de facto durar mais do que se pensa, e baixar os preços, uma vez que os aumentos só se devem as seus interesses, e não à escassez de produção?
  4. Aumentar em incrementos exponenciais, geométricos e aritméticos (pela ordem que quiserem) o preço virtual do brent, do barril da  coisa escura, até limites nunca dantes imaginados, na esperança de ver o que estoira primeiro, se as suas contas bancárias por excessos de zeros, se a vida de todos os restantes habitantes, por falta deles?

Se escolheram a 4, dou-vos os parabéns, mas nem era difícil.

Para os que, dentre vós, se deixaram embeiçar pela 2, uma palmadinha nas costas, mas não está certa, pois tinha truque – já ninguem quer clubes de futebol, nos dias que correm.

Além do mais já deviam saber que a opção com o texto mais comprido está, em 99% dos casos, sempre certa – se não sabiam esta pérola de sabedoria popular, não sei como passaram os vossos teste de escolha múltipla – se calhar eram dos que liam as opções todas até ao fim, pobrezinhos!!!

america Bom, de volta à temática séria.

Conforme já se aperceberam há uma relação directa entre o que os nossos irmãos americanos sentem e nós, meros europeus, como se fossemos siameses, acabamos por experienciar, ainda que só para pior.

Eu exemplifico. Os EUA espirravam, e aqui nós, antigamente, é que nos constipávamos. A desculpa era sempre a mesma – o dólar era uma moeda muito forte, a economia mundial girava à sua volta, todos os circuitos de import-export era de rigeur que passassem pela América, e nem pensar que o velho continente pudesse alvitrar em contrário.

Agora, (in)felizmente, tudo (nada?) mudou – ou seja, os States espirram na mesma mas nós já não nos constipamos sequer. Na realidade, o nosso fraco sistema imunitário, depois de tantos anos a partilhar os germes do nosso irmão siamês, está completamente nas urtigas. Eles tossem e nós entramos imediatamente num estertor de últimos segundos de vida, espasmos dignos de uma pobre sardinha no convés de uma traineira espanhola, tentando em vão adiar o inevitável.euro-vs-dollar

A diferença é que agora a desculpa de sempre não pega – se antes o  dólar era o bad boy do sítio, hoje, aparentemente, numa fenómeno a que por moda se chama bullying, o Euro tomou o seu lugar. Contas feitas, o preço do petróleo em € não aumentou nadinha, antes pelo contrário – e não é que não serviu de nada?

É que, aparentemente, é a história do preso por ter cão, e preso por não ter.

Nunca nos safamos, nem parecemos sair da cepa torta.

Parecemos estar destinados a errar entre gasolineiras, numa busca do preço mais baixo, aqueles cêntimos milagrosos que nos farão justificar o tempo e os quilómetros feitos à sua procura, entre gasóleos mais ou menos aditivados, ainda que praticamente todos distribuídos pela mesma senhora, a tal que se pretende à boca cheia boicotar, como se isso a incomodasse…

Entretanto, pela minha parte, vou tentar andar mais a pé, fazer uns olhinhos aos híbridos que por aí andam (e não estou a falar do Chateau Blanc), ver bem se consigo pôr o bichinho a andar a água, analisar esta história de pílulas para reduzir o consumo dos carros (devem ser tipo Xanax, o carro toma uma e já não anda, logo não gasta) e ver que mais posso fazer para me ajudar já que ouvi hoje o nosso primeiro dizer que a classe média não vai ser contemplada com apoios.

Olha a novidade…

Felizmente que já em 2015 chega um carrito que anda a lixo (pelo menos parcialmente), voa e ainda faz viagens no tempo – deixo-vos aqui o vídeo promocional do fabricante…

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