“A long time ago, in a galaxy far, far away…”

Caros leitores, eis-me de regresso – que estas ausências incutem um estatuto de comeback a qualquer post, tal as suas dimensões… – com um tema que, imagino, não dirá grande coisa a muitos de vós, quer sejam contemporâneos da minha geração (a malta de 1970’s) quer sejam mais ou menos amorangados, mas a vida tem destas coisas, nunca se consegue agradar a toda a gente…

No entanto, o facto é que, querendo-se ou não, o fenómeno que vou descrever tem sido transversal a culturas, nações, gerações, gostos pessoais e sexuais, a meninos e a meninas de todas as idades, de uma forma tão curiosa como absolutamente explicável e racional – a vontade de sonhar.

Ah, já agora, aviso à navegação… Vão tirar a comida do lume, tenham uma boa bebida à mão, recostem-se bem e preparem-se… Este é dos compridos… 🙂

Metropolis – Trailer Original – Versão Remasterizada c/ OST Original

Voltando ao tema, da mesma maneira que, no Sec. XIX, Júlio Verne apaixonou o mundo com viagens fantásticas, criaturas reais e imaginadas, e ciência que ultrapassava a que era conhecida na época, certo é que foi o Sec. XX que veio estabelecer as fábulas futuristas como estruturas basilares da ficção e do nosso imaginário diário.

Desde o seminal “Metropolis” de Fritz Lang, de 1927, uma das maiores produções de sempre da história do cinema (há que ter em conta a data e os meios com que foi produzida…) até êxitos actuais como “Avatar”, de James Cameron, de 2009, foram milhares as produções cinematográficas que enriqueceram as nossas vidas e preencheram as nossas células cinzentas com sonhos de viagens interplanetárias, sociedades utópicas, naves capazes de ultrapassar a velocidade da luz, raças extraterrestres fluentes em inglês, monstros indescritivelmente assustadores, invasores alienígenas com objectivos atrozes, conquistadores megalómanos que abrangiam galáxias inteiras, enfim a lista é imensa…

Em anos mais recentes, com os avanços da tecnologia computorizada, o vulgo C.G.I . (Computer Generated Imagery, em tuga Imagens Geradas por Computador), mundos que antes só poderiam existir em papel, (aquele meio sempre actual que depende de boa escrita e da nossa

Avatar – 2º Trailer HD

capacidade de a visualizar), passaram a poder ser expressos, primeiro em celulóide, e mais actualmente em suportes integralmente digitais, tornando todos os sonhos possíveis, e a nós, espectadores, autênticas crianças mimadas a quem cada vez vai sendo preciso mais para surpreender e satisfazer.

Ainda assim, e apesar dos novos marcos tecnológicos que vão sendo ultrapassados com cada novo épico cinematográfico, um filme de ficção-científica, (pois é disso que se trata), é, por definição, uma manifestação áudio-visual de um universo imaginado, em que tudo o que é estabelecido na actualidade pode ser subvertido, com o objectivo final de criar uma realidade alternativa que convença o espectador.

E o cruxis desse universo é a história, o âmago de qualquer fábula. Se ao longo deste último século fomos confrontados com enorme criatividade literária adaptada ao grande ecrã, e fomo-lo certamente, a verdade é que há padrões em que já podemos incluir a maior parte dos filmes deste género, em que o argumento se desvia muito pouco de matrizes pré-estabelecidas, surgindo somente um pioneiro, muito de vez em quando, que vem desafiar os cánones e criar, mui frequentemente, um novo sub-genre.

Alien – Trailer Original

Dentro do clássico conceito de monstros no espaço, a referência que ocorre a muitos de nós é o incontornável “Alien”, de Ridley Scott, de 1979, apesar de ter havido N filmes com a mesma premissa nas décadas que o precederam – mas este teve a particularidade de ser simultaneamente um thriller e um filme de terror num ambiente claustrofóbico levado ao extremo. A própria Academia de Hollywood, reconhecendo que tinha sido criado um marco dentro do Sci-Fi resolveu atribuir-lhe duas nomeações. Alguns anos mais tarde, a sua sequela “Aliens”, de James Cameron, de 1986, eleva a fasquia, com um filme de acção pleno de momentos marcantes, uma banda sonora de referência, uma fantástico trabalho de actores e, pela primeira vez na história do cinema, uma nomeação para o Óscar de Melhor Actriz para a protagonista de um filme de ficção-científica, Sigourney Weaver, uma das primeiras verdadeiras heroínas de acção do cinema.

De uma forma geral, toda a indústria cinematográfica tem beneficiado com as inovações imaginadas, criadas e desenvolvidas para os filmes de ficção-científica, seja através de reduzidos custos de produção, de menos tempo gasto em efeitos de última hora ou, até mesmo, na eventual redução do salário dos extras – os pixels trabalham de borla 🙂

Aliens – Trailer Original Remastered

E muito mais poderia ser dito sobre a evolução do género na história do cinema, mas é um facto que não haveria espaço suficiente neste blog para o fazer e, sinceramente, não era esse o objectivo – a razão principal desta verborreia toda deve-se ao evento que ocorre amanhã e depois nos Pavilhão Atlântico, e que passo a descrever muito em breve.

Ainda assim, e porque nunca é demais lembrar que nem toda a sci-fi tem gente de carne e osso, deixo-vos aqui mais um trailer, um nadinha mais abaixo, por constrangimentos de espaço, neste caso de um primoroso filme de animação digital, dos génios da Pixar, o filme “Wall-E”, de 2008, que acaba por ser, em última análise, uma história de amor até aos confins do universo – o que, convenhamos, é a epítome da ficção 🙂

Agora, em relação ao motivo deste post, refiro-me, claro, ao evento “Star Wars in Concert”, pela primeira vez em Portugal, apresentado por Anthony Daniels (o famoso C-3PO da saga), com a presença de uma orquestra sinfónica completa, os maiores ecrãs de alta definição LED alguma vez criados, uma exposição de adereços originais dos filmes e muito merchandising à mistura – claro que nada disto seria possível sem a existência da inesquecível banda sonora criada pelo veterano John

Wall-E – Trailer Original HD

Williams, compositor de eleição de Steven Spielberg e, por acréscimo, do seu amigo de longa data, George Lucas.

Se existe uma banda sonora que consegue capturar a imaginação de miúdos e graúdos é, certamente, a dos filmes em que John Williams teve o dedo na composição, nomeadamente, e apenas para mencionar alguns,  “Jaws”, “Superman”, " todos os de “Indiana Jones”, “E.T.”, “CLose Encounters of the Third Kind” e “Jurassic Park” – e, naturalmente, considerada por muitos o apogeu das suas capacidades criativas, a do espectáculo em causa, a dos 6 filmes da saga “Star Wars”, num estilo inconfundível e Wagneriano, com composições orquestrais fortíssimas, belíssimas passagens românticas, autênticos hinos ao cinema de acção, com peças como a “The Imperial March”, do Episódio V, a anunciar a presença de Darth Vader, e do próprio Imperador Palpatine, a ficarem associadas indelevelmente ao mal nos seu estado mais puro e inadulterado, ou a passagem final do Episódio IV, “The Battle of Yavin”, a elevarem a tensão a níveis incríveis mas culminando numa vitória das forças do bem de que nenhum fã se poderia esquecer.

Se rever cenas pivotais dos filmes, acompanhados de uma orquestra ao vivo,

Star Wars – Episode I~: The Phantom Menace – 1999

e com interlúdios por um dos seus principais actores – o homem a quem George Lucas chamou afectuosamente de “Mr. Star Wars” – é motivo ou não para tanto entusiasmo, bom, isso é discutível.

Como em tantas coisas na vida, a percepção é tudo – para mim, que cresci com os filmes, depois os jogos de computador, os livros e até alguns brinquedos da saga, as bandas sonoras são um prolongamento natural da viagem pela imaginação que é “Star Wars”, um universo que me acompanhou desde que me lembro, com tantas memórias fantásticas que nem poderia inumerá-las, tantos momentos únicos em que sofri, chorei (admito-o, é verdade, sou um lamechas quando a prosa é boa…), sorri, dei valentes gargalhadas mas, acima de tudo, deixei-me levar pela ideia romanceada de uma Força toda poderosa, que existe dentro de todos nós, guiando os nossos passos, ainda que, curiosamente, deixando-nos escolher o nosso próprio caminho, num universo pleno de possibilidade, perigos e paixões.

Star Wars – Episode II: Attack of the Clones – 2002

Ainda – e, paradoxalmente, já não – sou o miudo que fazia o sabre de luz com o comando da televisão, acompanhado dos ruídos de moscardo preso numa caixa (e era repreendido por o deixar cair…), o que tentou N vezes fazer levitar os meus trabalhos de casa pela janela fora (e nunca consegui que se mexessem sequer um milímetro…), o que passou a mão em frente ao rosto de colegas e amigos dizendo “Estes não são os dróides que procuras” (e por isso levou tareias de meia noite de indivíduos perturbados, que hoje seriam considerados “bullies”), o que sonhava com a Princesa Leia vestida de escrava no Episódio VI (e convenhamos, quem é que não sonhava…?), o que queria ter um amigo da altura de um autocarro que nos safava dos sarilhos (e só tinha amigos ainda mais toininhos que ele…), o que queria ter a nave mais rápida do sector (e ia a pé para a escola…), o que sabia o nome de todos os planetas, naves, raças e personagens, principais e

secundárias da saga (mas não se conseguia lembrar dos reis de Portugal e outras coisas de somenos importância…), o que ouvia as bandas sonoras a altos berros, no carro, de vidro aberto (e era referenciado pela protecção civil como um perigo para a sociedade…)…

Star Wars – Episode III: Revenge of the Sith – 2005

Enfim, sim, sou um fã de Star Wars, como tantos outros – o futebol nunca foi a minha praia, (perdoem-me se não vibro com 22 homens super machões, de calções curtos, suados,a correr atrás e uma bola e a apalparem-se a a beijarem-se efusivamente quando a bola entra numa esquadria com uma rede no fundo…), não acho que passar o verão a exibir os abdominais bronzeados a miúdas que pretendo engatar seja a epítome de tempo bem passado (e sim, tenho abdominais— algures por aqui, tenho a certeza…), e carros rápidos não fazem o meu coração bater mais (isso só mesmo a McDonalds, a Telepizza e outras escolhas conscientes de alimentação racional, que não preciso de extensões fálicas para me sentir completo, obrigado…) – e, como tal, tenho a perfeita consciência que serei rotulado como geek, nerd ou freak, mas isso é algo com que posso viver – é o preço de estar fora da manada – menos lã e mais originalidade 🙂

Admitidamente, devo ter sido dos primeiros, em Portugal, a comprar um bilhete, a garantir o meu lugar nas primeiras filas de um Pavilhão Atlântico praticamente esgotado para estes dois dias, a dar o meu contributo para a máquina de fazer dinheiro que é a Lucasfilm, e a sua subsidiária de videojogos, a Lucasarts, mas pronto, tal é o destino dos fãs que simplesmente

Star Wars – Episode IV: A New Hope – 1977

não podem deixar de prestar a sua homenagem a uma saga que os viu, e fez, crescer, como se de um mentor se tratasse, que nos forneceu estímulo, ideias,

apoio e vontade para conquistarmos as nossas próprias vitórias, no dia-a-dia muito terrestre de quem vive neste planeta – ainda que contrariado 🙂

Como hoje é dia de trailers, e para os mais pacientes entre vós, espalhados pelo post vos deixo uns aperitivos dos seis filmes mais rentáveis da história do cinema (enquanto parte de uma saga, que tão cedo ninguém destrona o “Avatar” do seu pedestal de propriedade intelectual original com maior sucesso de sempre), chamando a atenção para o efeito kitsch do trailer do 1º filme da saga a ser realizado– em termos cronológicos, o Episódio IV, sem a música de John Williams nem qualquer efeito especial na montagem – uma desgraça que hoje só serve para rir, mesmo….

De todos os filmes, e porque as coisas são assim mesmo, o meu favorito talvez seja o Episódio VI, traduzido brilhantemente para tuga como “O Regresso de Jedi”, do original “Return of the Jedi” – que, quanto muito, seria “Regresso do Jedi” ou “Regresso dos Jedi”, consoante a interpretação – assim, pareceu que Jedi era um tipo qualquer que, por acaso, resolveu regressar. Aliás, da saga, somente o Episódio IV não teve direito a

Star Wars – Episode V: The Empire Strikes Back – 1980

subtítulo traduzido, possivelmente por alguém pensar que nunca haveria sequela e que, em última análise, ninguém começa uma série pelo episódio número quatro…

Mas voltando ao Episódio VI, tem de tudo um pouco – momentos de muito humor e carinho – os Ewoks – momentos tétricos – o combate entre pai e filho, cuja banda sonora me deixa sempre com água nos olhos – momentos de extrema acção – a perseguição das hoverbikes e, perto do fim, do Millenium Falcon, dentro da Estrela da Morte – momentos de amor – a Princesa Leia e o seu Han Solo –  momentos dramáticos – a carnificina dos Ewoks, a morte de Darth Vader – momentos épicos – a destruição da 2ª Estrela da Morte, a queda do SSD Executor – enfim, tudo para todos os gostos…

Curiosamente, nem o Episódio V nem o VI foram realizados por George Lucas, tendo ele somente assumido a produção, e o leme do primeiro sido entregue a Irvin Kershner (que fez um trabalho notável num dos filmes mais memoráveis da saga) e do segundo a Richard Marquand (que faleceu 4 anos depois sem ter a oportunidade de voltar a realizar um filme da saga, como

lhe tinha sido proposto inicialmente) – ainda assim, a constante presença de Lucas em toda o processo permitiu que os novos timoneiros não se afastassem um milímetro da sua visão da saga – que, lembre-se, era para ter, originalmente, 9 episódios!:)

Para todos os que se revêem nesta prosopopeia (adoro esta palavra :)), e também para os que, sinceramente, nem percebem do que estive a falar, só vos posso desejar uma boa semana, repleta de coisas boas, e que a Força esteja convosco 🙂

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3 respostas a “A long time ago, in a galaxy far, far away…”

  1. susana diz:

    interessante essa comparação entre filmes com a tecnologia do passado e com filmes dos dias de hoje, que já são em 3D (para que as pessoas comprem mais óculos porque é uma visão que pode danificar um pouco os olhos pelo que dizem),e já são filmes como dizes feitos em computador,mas o Avatar já está a ser destronado e não teve o sucesso que parecia ter porque o filme Alice in Wonderland, está a ter muito mais sucesso pelo que ja´ouvi dizer.Também está muito interessante a descrição de ti lol, gostas muito de ficção e de super-heróis e monstros e extra-terrestres e naves espaciais, eu sei que sim, que tal fazeres uma viagem á lua ?já se fazem mas é melhor primeiro ganhares o euromilhões lol,mas não são só nos filmes até a escrita pode ser ficção e não realidade.Vais a um evento ,no pavilhaõ atlântico ,que bom,ainda bem que sais da toca e deixas as consolas e o pc lol ,espero que seja muito bom o evento e te faça sonhar muito com esse mundo fantástico.bjs amiguinho Tito sonha muito :-),olha que o sonho comanda a vida.

  2. Zorze diz:

    Muito, muito bom post. Como também a sequência de vídeos.Também eu sou fã da série Star Wars. Entende-la é como se fosse um conhecimento dinâmico.A introdução do post na qual elabora uma espécie de introdução ao cinema sci-fi está muito boa. A minha preferência está para a série Aliens. Dentro da qual são retratados vários medos da espécie humana; claustrofobia, medo da morte, antecipação de perigo iminente, situações desconhecidas, monstros abominantes entres outros que o psicólogo mais perto de si treme de medo.Quanto a Star Wars, bem entendido, existem muitos pormenores deliciosos! Os criadores das personagens sempre deixaram passar a ideia da capacidade hipnótica dos Jedi\’s. Num qualquer episódio Obi… num bar diz a um chateador: – Vai para casa e repensa toda a tua vida!The Dark Side of the Force, Darth Vader- uma criação genial, Sith -também outra criação sublime, esta última de cariz monhé, talvez.Toda a sequela, tem uma matriz ideológica, politica e diplomática.O conceito de Jedi é muito forte e faz-nos pensar a vestuta ideia de que a Força está dentro de nós.A Força que esteja contigo, como já está entre mim, há milhões de anos.Abraço,Zorze

  3. Carla diz:

    Finalmente escrevo no teu blog… … e aproveito, desde já, para elogiar o excelente trabalho que vens desenvolvendo.É sempre com prazer e curiosidade que venho ver os teus textos, e também é verdade que encontro sempre matéria para meditar.Sinceramente o meu obrigado e boa continuação.Relativamente aos filmes de ficção científica… não é o meu género favorito, mas gosto. São filmes baseados na ciência, mas com uma perspectiva futurista e muita fantasia, claro. O interessante é que, à partida, as criações que apresentam não são possíveis no contexto actual.A ficção pode ser tão antiga quanto a cultura humana, mas a ficção científica, como a conhecemos hoje, só é possível graças à ascensão das ciências modernas, nomeadamente da Física e da Astronomia (e eu sou uma apaixonada por estas ciências).Fico, assim, a aguardar por novos textos maravilhosos…BeijinhosCarla Mendes

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