Morangos Rebeldes e Professores Chanfrados

Caros leitores, o tema deste post, para além de vir desfasado da realidade em termos cronológicos, vem tambem ligeiramente fora de época para com a regularidade habitual deste espaço.

Por ambas as situações, deixo aqui a minha profunda e sentida indiferença – afinal de contas, não é como se pagassem para ler isto, logo está-se bem 🙂

Conforme se devem ter apercebido, a demagogia de hoje debruça-se sobre ao actual estado de coisas no generation gap nacional, cada vez mais vincado, e no crescente movimento de indignação causado pelo que se intitula de ensino nos dias de hoje.generation_gap

Eu quero desde já admitir aqui que não fiz virtualmente qualquer pesquisa e que, como a maioria dos portugueses, recebo as minhas informações directamente da fonte, a tv. Ocasionalmente folheio pasquins, mas apenas com objectivos lúdicos, ou em busca das palavras cruzadas ou cartoon do dia.

Ou seja, os dados mencionados podem estar, ou não, apoiados numa qualquer realidade estatística (que posso desconhecer), mas não são menos verdade por isso. A tv ditou e eu prestei atenção. Mas para apimentar as coisas, resolvi transformar isto numa sessáo do Jogo da Verdade, com direito a explicação da resposta 🙂

Assim sendo, quero começar por felicitar o governo por não ceder uma vírgula contra esses parasitas da sociedade que são os professores. Todos e quaisquer que sejam, lecionando ou não, com ou sem cátedra. Professores em geral. O próprio nome indica alguem que professa, que pela semelhança com profeta, é por si só deveras arrogante e ofensivo, e deveria ser digno de suspeita e escárnio (no mínimo) ou humilhação e apedrejamento públicos (no máximo).

É… Mentira. O professor deveria ser objecto do mesmo respeito que os alunos têm aos pais – um aluno que não respeita os pais não vai certamente respeitar os professores. Mas atenção, respeito e medo são coisas muito diferentes.

Como todos sabem, os professores são pessoas que nunca aprenderam a trabalhar e, como tal, foram para o ensino, (quem nunca ouviu "Quem sabe faz, quem não sabe ensina"?)de forma a toldarem as vistas de quem manda, fazendo-se mais importantes do que são, grangeando um imerecido respeito, mercê do título que precede os fracos nomes que possuem.

É… Mentira. O professor é a base da relação que o jovem vai ter com a 101207_professor aprendizagem, e minar o seu estatuto é minar a própria capacidade do aluno de aprender e elaborar o seu próprio raciocínio crítico. Diminuir o professor é fazer pouco da educação, por isso não se pode exigir que os alunos depois a tenham ou a demonstrem.

O professor é uma criatura mesquinha, da família das baratas, que teima em confundir as mentes das crianças com pedagogias confusas, sistemas obsoletos e matérias desinteressantes, obrigando as mesmas a recorrerem a dispendiosos explicadores para conseguirem o aproveitamento mínimo, e chegando por vezes ao extremo sádico de impedir a progressão mais que merecida dos jovens, no seu rumo a uma inevitável vida de sucesso.

É… Mentira. Os professores são confrontados, ano após ano, com novos programas, cada vez mais extensos, por exigências ministeriais, frequentam seminários, fazem cursos de aprimoramento das vertentes pedagógicas, tudo para melhorar a qualidade do ensino numa época em que cada vez se quer fazer mais com menos tempo, sendo o objectivo último desta estratégia a apresentação de quotas de aproveitamento escolar equiparadas às comunitárias, a qualquer custo, que incluem passagens mandatórias, administrativas e até pressões pelo grupos que avaliam o docente.

O professor (tambem denominado de Terrorista do Ensino, Hitler das Escolas ou Carraça da Educação) é permanentemente confrontado com formas novas de ensinar mas recusa-se, sistematicamente, a aplicá-las, não vá o novo esquema afectar o cuidadoso sistema de aulas pré-preparadas que guarda desde o 1º ano que lecionou, e qual lhe permite trabalhar apenas meia dúzia de horas por semana (vá, uma dúzia), gozar todas as férias lectivas (que são para cima de muitas) e ainda as estivais, pasme-se!!!

professora É… Mentira. O professor raramente tem tempo para acabar o programa do ano, dada a vasta lista de alterações propostas no ano anterior, lida com manuais recomendados na óptica do interesse das editoras, e fora as 20 a 25 horas semanais de aulas (sem contar com aulas de substituição, estudo acompanhado, área de projecto e actividades extra-curriculares não remuneradas) ainda tem de preparar as aulas, criar e corrigir testes adequados aos alunos, estar disponível para esclarecimentos a alunos e pais, acompanhar os alunos em visitas de estudo, que podem até ser ao fim-de-semana, e, segundo o actual plano, ser animador cultural e promotor do "Magalhães", com férias lectivas plenas de reuniões de turma, pedagógicas e outras e somente o mês de Agosto como intervalo.

Para culminar este chorrilho de defeitos merecedores de castração no pelourinho, recebem regiamente, como se de facto trabalhassem, e, senhores doutores que são, recusam-se terminantemente a ser avaliados, sistema justérrimo proposto pelo governo, de forma a separar o trigo do joio, o bom professor (existirá de facto?) do reles e comum verme intestinal que é, obviamente, a larga maioria…

É… Mentira. Os professores que recebem um valor vagamente equiparado às agruras que sofreram e ao desgaste psicológico que suportaram, estão em fim de carreira e pertencem já a uma geração na reforma ou pré-reforma. Os actuais, por entre depressões e baixas psiquiátricas, terão uma progressão dependente não de parâmetros objectivos, como a qualidade de ensino, que sempre existiram no antigo modelo de avaliação, mas sim de factores como as notas dos alunos, o que propiciará o facilitismo para ser bem avaliado, ou a opinião dos pais sobre o seu desempenho, altamente subjectivo e o equivalente táctico a pôr Israelitas a zelar pelo bom funcionamento das insituições palestinianas.

E esta, meu amigos, é, em termos gerais e muito pouco exagerados, a imagem vendida pelo Ministério da Educação, na pessoa da Mui Ilustre Senhora Ministra Cujo-Nome-Não-Se-Pode-Mencionar (porque o mau olhado espreita em cada esquina da net…), e repetida em cada escola, em cada reunião de associações de pais, em cada cantina, e depois espalhada pelo país, com a conivência tácita da comunicação social, até criar o processo de crescente insatisfação da educação em Portugal.

Porque, lamentavelmente, ninguem quis jogar este jogo e só ouviram as afirmações. Ser verdade ou mentira foi irrelevante.

professor Por razões pessoais, sei bem que a percentagem de verdade das frases a laranja que escrevi acima é desprezável, de tão ínfima. Mas isto não só porque conheço a realidade de ser professor, porque o fui, porque privei com muitos, mas tambem porque ainda fui aluno numa altura em que o professor era respeitado, e já fui professor numa fase em que não mais o era, mas sobretudo, caros leitores, porque aprendi em tenra idade a questionar os pressupostos assumidos, a duvidar as certezas da sabedoria popular, a analisar os aforismos e a circundar as críticas cegas, para ver o que escondiam por detrás da mandíbula forrada a preconceitos afiados.

Mas o que eu sei é indiferente para o comum tuga, que cada vez mais, de tanta informação que o cerca, se vê reduzido, por razões logísticas, a ler "as gordas", a conhecer cada tema como um seixo atirado conhece o lago em que resvala, e a achar que o mundo é a sombra na parede da caverna…

Admito, é difícil ser pai, nos dias que correm, contactar diariamente com o fantasma do insucesso escolar e não ter a tendência, admitidamente natural, de apontar o dedo para todos os lados menos a si ou aos filhos, sendo que os professores são o equivalente balístico a um alvo do tamanho de um celeiro, restando à educação que começa em casa, a grandiosidade de uma gotícula de orvalho nas costas de um ácaro.

ferreiraleite_piscaolhoMas tambem era bom que a opinião Gisellepública em geral  admitisse que o professor do mundo real tem tanto em comum com o dos media como a Giselle Bundchen tem com Manuela Ferreira Leite – os cromossomas estão lá, mas os cromos de uma são infinitamente diferentes dos somas da outra…

Não quero aqui dizer que só eu vejo em terra de cegos, que felizmente não é o caso, e muito triste seria se assim fosse, mas por vezes a verdade é um lugar solitário, sem amenidades nem água corrente, que nos força a ceder do que temos para mendigar sobrevivência onde ela prolifera, no reino de quem manda e decide.

Seria por demais fácil cair numa acintosidade igual à da crítica social e apontar o dedo ao governo, aos ministros, aos secretários de estado, a DRELs, DRENs e outras DREs, e continuar a seguir o percurso do martelo que, tombando, bate cada vez mais forte, até que no fim da sua luta inglória com a gravidade, o maior lesado é o mais fraco elo da cadeia, o crítico, o professor.

Mas por isso mesmo deixo as críticas para o bom senso, e sigo para bingo…

O que nos trás ao tema dos alunos, esses grandes lesados do sistema de ensino (novamente segundo os media), que acabam por não saber o que fazer com o pouco tempo que lhes é dado para decidir o que querem ser quando, um dia, crescerem…

O aluno hoje em dia é permanentemente objecto de análise, pelos pais, pelos professores, pelos psicólogos, pelos explicadores, pelas associações de jovens, pelas grupos a que pertencem, pelos seus pares e, invariavelmente, pelos meios de comunicação social…

tiago27 O jovem da Geração Morangos (ou Rebelde Way, depende se tem crista ou cabelo à Pin-y-Pon) é uma amálgama de contradições, como todos os jovens antes dele o foram, mas de uma forma aprimorada, elevando a novos patamares a futilidade da juventude ser desperdiçada nos jovens…

Este jovem é, por definição, o ultimate fashion victim, ou em português corrente, uma casca vazia de originalidade. Ele sente a necessidade absoluta de pertencer a um grupo, de possuir uma etiqueta pessoal que o identifique para além das marcas que exibe orgulhosamente, conquistadas com muito suor pelos pais, de forma a sustentar a presença do dito indivíduo juntos dos seus colegas, "amigos" e afins.

Este futuramente (espera-se) útil membro da socidade, precisa de saber  a que geração Sumol pertence, se é beto, rapper, tigresa, dread, rasta, grunge, skater, beebop, rockabilly, gótico, emo, punk, surfer, (já disse beto?), badboy ou simplesmente parvo… E digo-vos, não é nada fácil, sobretudo se em casa não existe controlo – o jovem pode facilmente navegar por entre todos estes grupos, em busca da sua identidade cultural (ou falta dela), com gastos incomportáveis para os pais em roupa, maquilhage235m e acessórios – e, surpresa das surpresas, no meio de tanta preocupação de integração social, o estudo é capaz de sofrer qualquer coisinha…

Esta imagem rebelde é de uma vacuidade atroz, sobretudo se pensarmos que para ser rebelde é preciso sê-lo contra alguma instituição, governo ou ditadura – mas o 25 de Abril já lá vai, vivemos em democracia, a qualidade de vida nunca foi tão elevada, o acesso a bens de consumo tecnológicos está em máximos históricos, o poder destes jovens sobre os pais é total – "dá-me já porque todos tèm menos eu, porque senão conto que me violas, porque senão grito até vir a SIC, porque senão mato-me e ficas a sentir-te culpado a vida toda, porque quem manda aqui sou eu"… Logo, rebeldes contra quê?

Só se for contra os professores, que os impedem de estar permanentemente no intervalo e passarem já de ano… Esses pulhas, eles que me tocassem no telemóvel que eu lhes dizia…

É certo que até James Dean foi rebelde sem uma causa, mas era um filme, que diabos, uma metáfora para uma juventude perdida e sem rumo – mas hoje, o que não falta são rumos, o que falta são timoneiros… Pais, dêem um passo à frente. Mostrem-lhes os limites, e ajudem-nos a descobrir o seu próprio caminho.

E fica para outra divagação a geração que está a ser "gerida" pelo pais, a dos futuros futebolistas, actores e actrizes, modelos e apresentadores de televisão, cantores e cantoras, e celebridades em geral, que optaram pela via profissionalizante, se assim se pode dizer… Porquê estudar quando se pode ter muito mais, por muito menos?

A todos o meu bem haja pela vossa paciência e uma excelente noite.

Fiquem bem 🙂

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5 respostas a Morangos Rebeldes e Professores Chanfrados

  1. Ana Biga diz:

    Acertas sempre nos pontos principais, e ler-te é, além de divertido, extremamente inspirador. Acho, como já te disse, que devias passar a vida a escrever e a aprimorar os talentos que te são inatos. Muito poucos podem dizer o mesmo, e isso devia encher-te de orgulho e dar-te forças e inspiração. Adorei, pela sinceridade, ironia, inteligência, enfim, quase até chorar de verdade, pois é triste o País que temos, que precisa exactamente de vozes que denunciem e critiquem, com este tipo de humor, as situações que "não lembram". Beijos tantos

  2. Zorze diz:

    Muito certeira a crítica, aliás, como sempre.Começas com a questão dos professores e da crescente falta de respeito para com os professores. O primeiro vídeo que mostras, da aluna a retirar à força o telemóvel das mãos da professora é um sinal dos tempos que vivemos actualmente. Mais do que falta de educação é uma vergonha. Os Pais têm uma grande parte da culpa, como muito bem referes.Os últimos governos foram gradualmente retirando a autoridade ao – Professor – e assistimos a uma degradação da Escola Pública. Será que na proporcionalidade inversa à destruição da Escola Pública ao aparecimento de cada vez mais colégios privados, haverá algum tipo de relação? Ou será que a Fanta de ananás que bebi ao almoço tinha propriedades alucinogéneas, e eu inocentemente não percebi?Focas a geraçãozinha dos dias de hoje, que é muito rebeldezinha e outros inhos e inhas. Quando mais tarde se aperceberem que não são mais do que carne para canhão para os call-centers, iô-iôs das empresas de trabalho temporário e running-boys das grandes multinacionais, vão-se lembrar que a escola até era importante. Afinal pá, a formação era importante, tipo para arranjar um emprego. Aí se tornarão a geração dos €500. Afinal o País é pobre e não existem muitas saídas. A culpa não é só deles, mas com esta geração afoita não se vislumbra que Portugal irá dar o salto intelectual que precisa.O vídeo do japonoquinha está engraçado. Ainda bem que é legendado em japonês, é que ouvindo ainda não consigo entender tudo, mas japonês escrito percebo. Ainda bem que te lembraste de por um vídeo legendado em japonês, assim já consigo entender!Em Portugal, os paizinhos levam os seus filhinhos a casting\’s de horas, mais outras tantas de filmagens (quem disse que era trabalho infantil ?), para aparecerem nos anúncios e nas telenovelas – o meu filhinho é uma verdadeira vedeta TV!E depois os miúdos crescem a achar que isso é mesmo verdade, enfim…Como nota final, destacar duas pérolas tuas que achei demais (em brasileiro). Cabelo à Pin-y-Pon e ultimate fashion victim. Brilhante!Abraço,Zorze

  3. susana diz:

    Ainda bem que voltaste com mais um dos teus magnificos e verdadeiros textos,já tinha saudades de te ler amiguinho Tito,tudo o que dizes aqui é verdadeiro e penso que não está ultrapassado como referes,pois a questão dos professores continua enquanto a Sinistra continuar no cargo que ocupa,a dar entrevistas e conferências em que diz coisas sem nexo,e a dizer que poderá fazer alterações á avaliação mas primeiro aplica-se o modelo depois então altera-se enfim coisas que não cabem na cabeça de ninguém,é ridiculo como são colegas a avaliarem-se uns aos outros e de áreas diferentes,como os professores tem que passar todo o seu tempo na escola sem quase ter tempo para a família,e não são respeitados nem pela Sinistra nem por vezes por essa geraçãozinha que falas,geração rebelde ou morangos,não sei com isto tudo que educação vai ser a dessa geração isto até mesmo desde que saiu o processo de Bolonha,e agora mesmo ja´na secundária com esse dito plano de avaliação sem estrutura e sem pés nem cabeça,é óbvio que os professores os que sabem que são bons pelo menos,querem ser avaliados mas não com um plano destes,não dessa forma,e como diz aqui o nosso amigo Zorze, está a destruir-se a escola pública.Quanto a essa geraçãozinha,são sim muitas vezes os Pais e mesmo a Sociedade,mas muito mais os Pais que tem culpa na forma como os filhos se comportam,se não tem educação em casa e não levam por vezes umas boas palmadas,se não tem respeito em casa então como vão ter com os professores e na escola que é um meio que muitas vezes detestam quando tem que estar atentos nas aulas.Esse caso que referes que foi passado numa escola do Porto,com a aluna a querer tirar o telemóvel das mãos de força da professora,foi desrespeito da aluna para com a professora é óbvio que a professora poderia ter feito as coisas de outra forma e ter dito a aluna para não mexer mais no telemóvel e deixá-lo na mesa da aluna por exemplo,mas a aluna também sabia que estava numa aula,e numa aula nem se pode estar com um boné ou gorro na cabeça quanto mais com um telemóvel ligado e a mexer no telemóvel,é um objecto que desconcentra os outros alunos,enfim e vê-se outros tantos casos de agressão a professores em que muitas vezes a culpa é dos alunos e da educação que teêm.Portanto nem a avaliaçaõ dos professores poderá ser feita com base nos resultados que os alunos teêm,nem no seu comportamento.Gostei muito também aqui do comentário do nosso amigo Zorze que também diz muito do que se poderia dizer quanto a este tema polémico.Também com pessoas como o Sócrates que tem um diploma comprado e nem sequer é engenheiro,e como a Sinistra Maria de Lurdes Rodrigues que tirou um douturamento penso que antes de ter feito o mestrado e que penso que também lá andou na tal Universidade Independente,Portugal só poderia estar assim e a geração de agora só poderia ser assim como é.Bem gostei muito de te rever com mais um texto magnifico,continua a escrever e a demonstrar esse teu talento ,que nunca o percas.Já agora visita também o meu blog e comenta qualquer coisita se tiveres tempo,espero a tua visita por lá.http://www.sonhoscomletras.blogspot.combeijinhos amiguinho Tito e vai dizendo alguma coisa e continuando a escrever

  4. zulmira varela diz:

    Caro Gato Friorento, não podia estar mais de acordo consigo. E olhe que eu não gosto muito de gatos! Tudo o que escreveu acerca dos professores e alunos ou pseudo alunos, eu subscrevo.
    Grande parte dos nossos ” meninos”, vai à escola, esqueceram-se foi de lhes dizer que tinham que estudar e não andar a pavonear-se pelos corredores e salas de aula. Eles com as calças no chão e a andarem como se tivessem feito uma valente “cagada “, desculpem a expressão mas é verdade ! O look deles corresponde exactamente ao que eles fazem/não fazem na sala de aula! Como gato que é devia dizer às meninas que a altura do cio não dura o ano inteiro! É que assim não têm tempo para estudar! Esqueceram-se de fotocopiar a página onde dizia quais os deveres dos “nossos meninos”, só tiraram cópia dos direitos.Que pena! Ou então o papel não chegou! Caro Gato, a escola nunca se afunda, sempre esteve em baixo, quem se afunda são os docentes.
    Por isso, antes que sinta frio, e me constipe e tenha outra doença qualquer vou retirar-me. Quero conservar a minha snidade mental até ao fim dos meus dias, nem que eles sejam poucos!~
    Tenha cuidado, nunca se sabe de onde pode vir o vento!

  5. A diferença no caso da greve do professorado paulista é que a distorção e a manipulação são tão gritantes,que está minando qualquer tipo de credibilidade desses veículos. Quando um jornal distorce os fatos numa ocupação de terra,por exemplo,não há qualquer possibilidade de o leitor ir lá verificar a veracidade do que fora noticiado. Manipular informações sobre a greve e a real situação do ensino público paulista é outra coisa. Estamos falando de um universo de 220 mil professores,e algo como 5 milhões de alunos que,diariamente,convivem com a precariedade das escolas estaduais. A categoria,composta principalmente por professores de classe média,cada vez mais baixa,mas ainda classe média compõe o principal alvo comercial de jornais como Estadão e a Folha. Mas,a cada dia,os professores vão descobrindo que,como disse Gramsci sobre os jornais e a classe trabalhadora,“a moeda atirada distraidamente para a mão do ardina é um projétil oferecido ao jornal burguês que o lançará depois,no momento oportuno”. Num momento em que os jornais vão perdendo leitores e se reformulando graficamente para garantir uma roupa nova às velhas ideias,fica a questão:até que ponto a perda da credibilidade não influencia para a rápida decadência da imprensa? Uma pergunta que,com certeza,não só o nosso amigo distraído que caminhava pela Paulista faria,como a massa de professores,alunos e pais de alunos que estão descobrindo como a imprensa mente.

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