Maddie vs Quinta da Fonte

Se pelo título não estão a ver o tipo de texto que aí vem, é porque não têm andado atentos a este nosso Portugalito, cada vez mais como os grandes, onde injustiças flagrantes e tiroteios à luz do ida são tão comuns como respirar.

Ah, um aviso à navegação: por ter tido queixas de que os meus posts são demasiado longos e tal e quê…

Ouvi de facto as vossas críticas e, como tal, resolvi agir em conformidade, conforme poderão comprovar pela dimensão deste texto.

Considerem-se avisados e grato pela vossa opinião. 🙂

De volta ao assunto, admitidamente, ainda não entrámos no triste estado de apatia em que vivem, por exemplo, os Nova Iorquinos, onde é preciso algo de realmente novo para os abalar, mas para lá caminhamos.

Notem o avanço exponencial da nossa capacidade de adaptação às coisas…

Quando a Maddie "desapareceu", (digamos "desapareceu" porque dá 14_MVG_maddieposter para tudo…) a 3 de Maio do ano passado, o país consternou-se. Noticiários foram interrompidos de forma imprópria, transeuntes foram inquiridos com questões irrelevantes, testemunhos foram recolhidos a pessoas em todos os cantos do mundo apenas por terem dito que teriam visto a pequenina, rios de tinta (e de dinheiro) foram gastos e pagos por donativos angariados à custa de inocentes almas que só "queriam ajudar aqueles pobres pais" a reencontrar a sua menina, estabelecimentos comerciais exibiam fotos e pedidos de ajuda para www.findmadeleine.com, pessoas choravam nas ruas, era uma verdadeira tragédia…

Pouco importava que ela tivesse levado chá de sumiço, na melhor das hipóteses, pela mais pura negligência de uns pais que, apesar de serem médicos, inteligentes e esclarecidos, achavam, como muitos britânicos, que deixar os miúdos pequenos em casa enquanto se vão divertir está perfeitamente bem – mas note-se, o nosso Ministério Público nem se lembrou de abrir um processo de negligência, que esse sim, tinha tudo para ganhar…

Os mesmo pais que depois se veio a saber (mas por pouco tempo, que article-0-01E4028200000578-174_468x286 estas vozes foram caladas) que poderiam pertencer a um circuito de swingers, alguns com ligações a células pedófilas.

Os mesmo pais que mudaram o seu testemunho, o de amigos e o seu registo de atitude em relação ao processo vezes e vezes sem conta.

Os mesmos pais que antes de ligarem para a policia fizeram umas dezenas largas de chamadas para outros números (misteriosos e que ficaram por identificar) na fatídica noite.

28_MHG_mun_mccann Os mesmos pais que ora elogiaram o empenho da polícia portuguesa ora passaram a encará-los como inimigos figadais, tal como fizeram com a imprensa nacional, que só não os carregou em ombros no início do caso porque não pôde.

Os mesmos pais, que mais tarde se veio a suspeitar, teriam tido mais do que culpas por negligência…

Algumas (muitas) vozes opinaram que os McCann poderiam ter causado, ainda que acidentalmente, a morte da pequena Maddie (que a mãe insistia em chamar de Madeleine, não fosse apegarmo-nos à miúda… ela obviamente não o era lá muito), quer num acesso de violência, quer por sobredosagem medicamentosa (que os miúdos destas idades teimam em não querer dormir e deixar os pais irem para os copos com os amigos…), quer por intervenção de amigos do casal, por Maddie ter visto algo que não devia, as teorias sucederam-se a rtimo vertiginoso.

O facto é que houve , pelo menos, 10 coisas estranhíssimas que ficaram por explicar:

  1. Os cães ingleses (os canídeos mesmo, não a imprensa deles nem Cadaver-1-s_2 os MacCann ou o seu porta-voz, quero clarificar…) detectaram odor de cadáver na carrinha alugada pelo casal quase 1 mês depois do "desaparecimento", na zona vazia do pneu sobressalente… Coisa estranha… Terá o rent-a-car alugado a Scenic previamente à máfia de leste?
  2. Amostras de DNA mitocondrial (feminino) foram encontradas em cabelos ensaguentados na mala do mesmo veículo, lamentavelmente "demasiado degradadas" para servir como prova inegável – ainda que para a maioria dos peritos os 15 alelos comuns encontrados fossem suficientes para condenar Cristo, mas enfim…
  3. Os testemunhos dos amigos foram sucessivamente desbastados por contradições grosseiras, mas nem isso foi suficiente para condenar fosse quem fosse… Afinal de contas, os media ingleses respiravam sobre o delicado pescocinho dos investigadores portugueses e não se queriam ferir susceptibilidades…
  4. O porta-voz do governo britânico abandonou o seu lugar enfadonho e de baixo perfil para passar a ser… porta-voz do McCann, aparentemente pro-bono e sem quaisquer ganhos pessoais ou profissionais – não pode ter sido pelo protagonismo nem para achincalhar os portugueses, certamente…
  5. Uma testemunha chave identificou o próprio pai de Maddie como o 785fe87ehomem que transportava a criança, aparentemente adormecida, na dita noite, não na direcção em que os amigos do casal indicaram à Judiciária, mas na oposta,… vá-se lá saber porquê…
  6. O inspector responsável pelo processo foi afastado no preciso dia em que se ia recolher o testemunho acima (ok, admitidamente o apêndice piloso sub-nasal não o ajudou, por isso o retirou entretanto…) – aqui se vê o poder de uma máquina política bem oleada.
  7. Apesar da gigantesca-mega-ultra-hiper operação de resgate, e já passado um ano,  nenhuma pista sólida foi encontrada no sentido de que Maddie alguma vez tivesse sido levada para fora do país por qualquer indivíduo, pedófilo ou não… Será que não havia nada a descobrir?
  8. Até a Rainha Branca das Crónicas de Nárnia mostrava mais calor Reg_1973_11 KateMcCannES2311_468x570 humano do que Kate – aliás, as parecenças são inegáveis, com algum benefício para a personagem de ficção…
  9. Nenhuma criança portuguesa teria tido a mesma atenção se o caso se tivesse passado no Reino Unido – aliás, boa sorte em apresentarem a queixa num país que lidera os rankings mundiais de desaparecimentos de menores.
  10. Nenhuma criança portuguesa teve alguma vez uma fracção da atenção dedicada à Maddie por parte de quem quer que fosse – ao menos nisso a miúda teve sorte – finalmente atenção de alguem, que dos pais realmente…

Ao dia de hoje o caso foi, como seria de calcular, arquivado "podendo 1_61_012008_McCannSuspect Ringo_Starr[1] no entanto ser reaberto se sugirem provas pertinentes que justifiquem a sua reabertura…". Apesar do circo que se criou para fazer correr os investigadores (em que se inclui um retrato robot dum elemento dos Beatles, em 67…), nada aproximou os peritos da verdade. Reabertura possível… Parece uma mensagem de esperança? Mas não é. Não siginifca nada. Nickles batatóides. Rien de rien. Zip.

Estes casos são assustadoramente comuns em todo o mundo, e apesar do mediatismo apenas justificado pelo marketing engenhoso e o capital social e de influências dos McCann, o de Maddie pouco tinha de diferente. Feitas as contas, os média portugueses foram usados como fonte de desinformação, a polícia mero objecto de poder dos ditos media e das pressões de um país estrangeiro, (na pessoa de embaixadores, ministros e supostos "peritos" nestes casos), o nosso próprio país ficou mal visto por se ter tentado apurar a verdade em relação às patentes contradições dos McCann e Cia., os pais portugueses que viram os seus  filhos desaparecer em circunstâncias similares Rui_Pedro235sentiram-se mais descansados (afinal de contas, se nem com o mundo inteiro à procura se encontram as crianças, é porque a culpa não é nitidamente da polícia…), os McCann estão mais ricos um milhão e tal de euros (que alegadamente só usarão para encontrar a Maddie) e a vida continua para todos (menos , possível e lamentavelmente, para a dita menina…).

Moral da história:

Actual interesse dos portugueses na Maddie: zero.

Expectativa de reabertura antes da segunda vinda de Cristo: zero. 

E isso traz-nos, admiravelmente, ao caso da Quinta da Fonte, em Loures, onde na semana passada houve algumas altercações (muito ligeiras por sinal) entre muitos elementos da comunidade cigana e de uns poucos indivíduos de etnia africana.

As imagens que se seguem, quer creiam quer não, não foram filmadas na Favela da Rocinha nem na do Alemão, e reflectem um lado de Portugal que teimamos em não querer ver.

Vejam e depois continuem a ler.

  

Foi certamente surpreendente para o Portugal esclarecido descobrir que existem conflitos no mais profundo seio de Loures, sobretudo num bairro calmo como o da Quinta da Fonte, que faz a Cova da Moura parecer um sítio pacato.

Mais surpreendente ainda que uma comunidade que geralmente é cumpridora das leis, dos bons costumes, asseada, respeitadora da propriedade privada e alheia, e bem integrada na nossa, como é o caso da cigana (tambem gosto de zíngara ou zéfira, e do sempre clássico romanii) se tivesse envolvido, e quiçá causado, (n)os ditos incidentes.

E ainda mais razão de surpresa é o facto de que, desta feita, as queixas de violência sobre pessoas, vandalização de propriedade privada e roubo de itens vários, foram apresentadas pela dita comunidade, e não contra ela.

Ah, e no meio de tudo isto, ouviram a medida de coacção? Prisão preventiva? Pulseira electrónica e prisão domiciliária? Nah. Apresentações periódicas. Há que ser pedagógico…

Por esta altura, o leitor já deve estar a pensar que entrámos no reino quinta da fonte 2 da ficção-científica – como será sequer imaginável que alguem tenha conseguido, (por intermédio de retórica de calibre militar, é certo, mas ainda assim…), assustar e criar um sentimento de respeito e salutar medo, nos indivíduos identificados pela polícia, e em muitos outros que a nossa polícia não conseguiu (lamentavelmente…) identificar?

Numa época em que parece não haver justiça no nosso país, e sobretudo no que concerne à dita comunidade, eis que um outro grupo de minoria étnica disputa abertamente o direito à existência e aos lucros provenientes de fontes duvidosas, dirão alguns.

Sim, porque a justiça portuguesa tem medo da comunidade cigana, digamo-lo com frontalidade. Quem diz a justiça diz o comum cidadão. Os que não têm medo poderão ter uma imagem menos benéfica dos indivíduos dessa etnia. Justa ou injusta é questão de debate, mas a imagem existe.

Verdade é que uma comunidade, qualquer que ela seja, é vista pela sociedade que a envolve sempre, mas sempre, como o reflexo que os seus membros lançam sobre os que os rodeiam.

E se há ciganos que trabalham por conta de outrem, ou mesmo por conta própria, com rendimentos declarados genuínos, com estabelecimentos (diga-se imóveis) de venda ao público, membros activos da comunidade em que estejam inseridos, bons vizinhos, bons pais de família e cidadãos respeitadores, não haverá muitos portugueses que conheçam estes exemplos.

Mas leiam esta notícia que pode ajudar a ver o outro lado da questão.

Regra geral, se se perguntar a um português que trabalha, desconta, paga uma renda brutal com os aumentos da Euribor, tem filhos a estudar e tenta acompanhar a escalada do custo de vida, o que pensa dos ciganos que recebem o Rendimento Mínimo Garantido (qualquer que seja o seu nome esta semana…) a resposta vai, invariavelmente, para conceitos negativos.

Aliás, as exigências apresentadas pelos líderes dessa comunidade durante a semana reuniao_ciganospassada, que vão desde escolher as casas para onde querem ir morar (e cito "sem pretos ao pé"), até ao facto de não admitirem sequer regressar às deles, mesmo com escolta policial "por razões de segurança…", com ameaças a manifestações em peso em frente à C.M. de Loures, vindos de todo o país, entram no reino da intimidação pura, apenas compreensível pelo facto de que o conceito que faz funcionar esta etnia é a força numérica, com que resolvem normalmente os seus conflitos.

Aliás, é perceptível o tipo de mentalidade de alguns destes indivíduos pelo facto de que tentaram ocupar outras casas, após os tiroteios, arrombando-as, tendo de ser expulsos pelas forças de segurança – a ilegalidade dos seus actos deveria ser desculpada pelas circunstâncias, alegaram. Se só o fizessem nestas circunstâncias talvez fosse…

Apesar do que diga o senhor do S.O.S. Racismo sobre a atitude das quinta da fontebmp outras pessoas (a quem os ciganos chamam "brancos", como aos de etnia africana chamam, sem qualquer pudor, "pretos"), a verdade é que as vítimas da violência raramente são os ciganos.

Mas neste caso, com tiroteios à luz do ida, gravados em alta-qualidade por vídeos amadores, onde são perfeitamente identificáveis pelo menos 15 pessoas armadas com equipamento bélico ilegal (quer por falta de licença, quer por negarem tê-lo quer por ser de calibre militar), onde a propriedade furtada era tudo menos de baixo valor (como seria expectável em famílias detentoras de rendimentos mínimos, incluindo tudo, desde plasmas e lcd’s, passando por consolas de última geração e aparelhagens de hi-tec, isto dito pelos próprios…), onde as casas arrombadas eram pertença da Câmara e das quais pagavam rendas a rondar os 5 euros, onde (e isto admitido por oficiais camarários) é frequente os membros da dita etnia danificarem eles próprios os imóveis para solicitarem realojamento por falta de condições, é difícil o comum cidadão empatizar com a situação…

  

Porque haverá ali, certamente, famílias isentas de culpas, quer ciganas quer africanas, apanhadas no fogo cruzado (literalmente) de duas etnias que não querem fazer parte da comunidade portuguesa, apenas beneficiar das suas lacunas sociais, da boa vontade do seu povo e da brandura da sua justiça, mas essas famílias têm um inferno pela frente.

O de convencer Portugal que são diferentes. Mas isso faz-se com acções produtivas, tentativas de integração no país hospedeiro (e não ao contrário, por mais estranho que pareça…) e uma atitude positiva em relação aos seus vizinhos.

Caso contrário nem vale a pena tentar, e a Quinta da Fonte vais ser apenas o primeiro de muito exemplos de uma guerra que ninguem vai poder parar…

Moral da história:

Actual interesse dos portugueses nos conflitos étnicos: cem.

Expectativa de firmeza por parte da justiça portuguesa: zero.

Ganham as etnias – mas somente por serem novidade – e ainda poderem ter bom desfecho, talvez…

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3 respostas a Maddie vs Quinta da Fonte

  1. Zorze diz:

    Muito bom o post e a relação que fizeste destes dois temas da actualidade portuguesa. Pena é, como sempre, serem 2 big issues que mostram a vergonha que o nosso País foi, é e será.
     
    Caso Maddie: a tua visão é a minha. Lembro só Robert Murat que foi constituido arguido porque uma jornalista inglesa desconfiou do desgraçado. Depois cairam-lhe em cima, a nível profissional perdeu clientes e a nível pessoal ficou com o estigma colado na derme como pedófilo e taradinho. Era o bode expiatório perfeito. Agora já ganhou 600.000 Libras de indemnização dos jornais ingleses e vai continuar a disparar para onde pode. Em seguida serão dois familiares dos McCain e depois o nosso Ministério Público. Bem feito.
    Concordo com a tese do inspector Gonçalo Amaral, do qual, irei comprar o livro e assim lhe ajudar a sua reforma. Finalmente deveriam ter contratado Sherlock Holmes e Poirot, creio, para mim que com esta dupla não haveria hipóteses.
     
    Quinta da Fonte: o eterno problema dos Bairros Sociais. Existem uma série deles nas periferias das grandes cidades. Os municípios querem acabar com as barracas e afins. Depois à conta dos construtores locais fazem os ditos Bairros Sociais. O construtor se quer ver as suas obras licenciadas também tem que dar algo em troca. Construções com os materiais mais baratos, prédios com pouca qualidade técnica.
    E assim os municípios resolvem o seu problema despejando pretos e ciganos. Comunidades que se odeiam. É a típica resolução de problemas à portuguesa. Em cima do joelho, refira-se.
    Este tipo de fenómeno tem efeito bola de neve. Esperemos que fique por aqui, o que eu não acredito muito.
     
    Um grande abraço,
    Zorze
     
    P.S.: Vê lá se também não és processado já que agora é moda processar tudo e todos. Mas como fica tudo arquivado …

  2. Teresa diz:

    Vamos por partes: Post bem escrito e pertinente!A minha opinião?Bem, vou ter de concordar contigo na maioria das opiniões que expressaste! Caso Maddie – Infelizmente mais um exemplo de como a engrenagem falha quando se deparada com gente da "graúda". É escandaloso e consegue superar um bom argumento para filme daqueles de esgotar bilheteiras! É um caso que cheira mesmo a história mal contada!E aquele ursinho de peluche, que andou para cima e para baixo, nas mãos daquela sósia de "Rainha Branca" soou a falso…Por mais sórdido e anti-natural que possa ser o envolvimento de uma mãe na pseudo-morte da própria filha.Pouco tenho a acrescentar a não ser: "Que Deus Nosso Senhor, tenha a sua alma em descanso".
    Quanto à ordem do dia: Quinta da Fonte! – veio-me à cabeça uma frase: "Aiii mããããeeee que os pretos querem matar a gentii!! Não temos sigurança!!"- Não têm segurança? Ok! E corpinho para trabalhar e construir a sua própria casinha?Não? Cansa né?Temos pena! Lamento se pareço dura, mas pergunto eu: Quem deu casinha aos meus pais? Quem sustentou os 3 filhinhos dos meus pais sem subsidiozinhos sociais? Quem tem armazinha ilegal? Há uma coisinhas como: trabalho, descontos, utilidade, civismo, educação, esforço, tolerância…Mas para os lados da quinta da fonte parece que isso é chinês!!Salvaguardando, claro, as excepções à regra! Não sou racista, nem xenófoba, mas já conheço, por proximidade habitacional, alguns hábitos (longe de serem cultura) desta etnia, cigana, e permitam-me duvidar das suas boas intenções e da vitimização que nos querem fazer crer! Culturas eu respeito, mas a cultura da boa educação tem lugar em toda a parte!….Mas então fazemos assim: Cigano amigo, se vives na quinta da fonte e vais escolher casa, não te esqueças…escolhe com 5 quartinhos, um quartito para vestir, suite, candeeiros de lustre, 7 plasmas…nada de esquesitices! Pior que isto só o que ouvi hoje nas notícias!No bangladesh, uma organização de mendigos pedintes exigem ao governo que estabeleça uma esmola mínima a ser dada.Isto porquê?Ao que parece os coitados andavam a receber muitas moedas equivalentes aos nossos 10 cêntimos! Realmente!! Há gente que tem muita lata! 10 cêntimos??…Nem a caridade já é o que era! Por isso defendo que cada mendigo deve ter ao lado uma tabela de esmolas aceites! E estabeleço já um mínimo razoável: 50 euros? Que tal? Ainda é pouco né?..Vai devagarinho! Isto há cada uma…. Beijinhos!

  3. Ana Biga diz:

    Bem… por onde começar… gostei muito, aliás como gosto sempre… entretém e chega a ser educativo, acabo também por me rir e por concordar com muitas coisas; muitas, mas não todas, senão não teria graça nenhuma. Penso que tens opiniões bastante válidas acerca de ambos os casos, mas também opiniões muito firmes, o que não é o meu caso.
    Maddie: não sei o que aconteceu nem tenho a veleidade de achar que sei, não estava lá nessa noite, felizmente, nem nos dias que se seguiram. O que eu sei é que, ao contrário de maior parte dos pais portugueses que andam sempre em cima dos filhos quando eles são pequenos, alguns nem os deixando respirar, não vá o "menino cair e fazer um dói dói", os pais ingleses dão rédea muito mais solta e são muito mais desligados. Já foram feitos estudos sociológicos nesse sentido e ainda outro dia li na Visão um artigo que comparava a educação dada cá com a educação dada lá, e são completamente diferentes. O sociólogo terminava dizendo que é uma questão de gerações (muitas) e que os ingleses são muito mais distantes e despreocupados do que os portugueses, sendo por isso que tantas crianças desaparecem por lá. Simplesmente são raptadas. Os pais portugueses muitas vezes deixam até de ter vida social para se dedicarem inteiramente às crianças, enquanto na Inglaterra é comum os pais continuarem a relacionar-se com os grupos de amigos, deixando inúmeras vezes as crianças sem qualquer vigilância. Eu própria assisti a isso faz este mês um ano, perto duma piscina. Os pais estavam com amigos a almoçar no café, enquanto a criança estava na água (uma menina de cerca de 4 anos) quase a afogar-se. Se não fossemos eu e uma amiga a tirá-la da água, tinha ido desta para melhor, e quando a mãe se apercebeu não demosnstrou qualquer aflição, agradecendo simplesmente e voltando para perto do marido e respectivos amigos. Por isso, acho que este caso da Maddie não pode ser compreendido sem serem entendidos os comportamentos que diferem de país para país (culturais). A própria "frieza" de que acusam os pais da Maddie, nomeadamente a mãe, pode ser explicada se analisarmos o temperamento dos povos. Os portugueses são muito mais calorosos e emocionais que os britânicos.
    Por isso, como digo, não sei o que aconteceu, mas para mim, as hipóteses estão todas na mesa, incluindo a de rapto por pessoas que nada terão a ver com o círculo dos MacCann. Cada pessoa pode agora começar a avançar hipóteses, mas o que é certo é que não se sabe, e penso que o swing nada tem a ver com a questão, não fazendo das pessoas mais ou menos más, são simplesmente escolhas e formas de viver e desde que não chateiem, cada um sabe de si. Bem espremido, acaba por ser tudo circunstancial, e se houve pressões, politiquices ou decisões politicamente correctas ainda estou para ver se vêem a luz do dia.
    Ciganos versus Pretos, com os Brancos metidos na molhada: somos todos portugueses, seja qual for a cor, penso que estas gerações já são nacionais e se não estão registadas pelo menos nasceram em solo português tal e qual como eu. Mais uma vez, há que compreender as diferentes etnias, não querendo com isto dizer que se deva desculpar tudo, apenas compreender. A etnia cigana é uma etnia nómada a quem não é permitido viver conforme sabem desde há séculos. Simplesmente os ciganos andam dum lado para o outro e não são sedentários, nem tão pouco compreendem maior parte das nossas filosofias e normas. Não se pode generalizar, pois há muitos que já estão bem integrados, que são excelentes profissionais e até artistas de algum renome. Há muitos que não querem estar segregados e até já se "misturaram" com outras etnias, casando e procriando, de tal maneira que muita gente nem sabe que são da etnia cigana, vendo-os como cidadãos cumpridores e exemplares. Como digo, não generalizemos. Assim como há muitos pretos "bandidos", também há brancos e ciganos, e penso que a alguns não são dadas muitas hipóteses, tendo de lidar com o racismo e a incompreensão desde que nascem. A violência não acontece por acaso e a tendência para fazer "falcatruas" também não, a revolta não surge só "porque sim", e é importante lembrarmo-nos que nem toda a gente nasce com as mesmas possibilidades que alguns de nós temos, trazendo desde o berço a "marca" de pertencer a um grupo marginalizado e de quem o resto da sociedade desconfia logo "à cabeça". Por isso não é de espantar que funcionem como grupo e que tentem exercer pressão como grupo… "unidos venceremos" nem sequer é um mote cigano, é simplesmente uma inteligente forma de sobrevivência, bastante humana, por sinal. A integração torna-se complicada em muitos casos, os valores e hábitos são diferentes, e socialmente são situações demoradas, levando às vezes centenas de anos. Torna-se mais difícil quando tentamos arranjar trabalho e ninguém nos dá por sermos ciganos, etc. Mais uma vez digo… não é igual para todos e muitas pessoas deparam-se com dificuldades que nós nem conseguimos conceber. Falar é fácil… generalizar é perigoso, e condenar é ainda pior… não me vou alongar mais, senão fica um texto maior do que o teu. Penso que são temas que dão "pano para mangas", em que concordar e discordar são excelentes raciocínios mentais, e também penso que são assuntos em que não se pode ser fundamentalista, tem de se ser Ghandi:). Obrigada por me teres proporcionado mais uma vez uma leitura inteligente e desafiante. Beijos imensos. P.S: adoro o facto de hoje em dia se poder exprimir toda e qualquer opinião, concordar, discordar e também assim assim… 
     

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