Gasois com e sem auditivos

Caros seguidores deste blog, o tema de hoje é por demais pertinente.

Não só é actual, na berra e de bom tom, como já tão amplamente discutido (até por profissionais da discussão, diga-se em abono da verdade) como é absolutamente essencial que eu, um opinion-maker de última geração, me veja na obrigação de deixar tambem os meus 2 cêntimos de opinião.

Refiro-me naturalmente aos recentes (e não tão recentes) aumentos do preço dos combustíveis, alegadamente por razões do ratios de oferta/procura do ouro negro a oil_rigentrar no campo dos números imaginários, com os maiores produtores (e aqui devia ler-se distribuidores / processadores / recicladores ou o que for, porque quem produziu o petróleo, segundo sei, foram os dinossauros, as plantas e uma pipa de outras coisas que tiveram a fineza de morrer há uma data de milhões de anos e depois de levar com uns valentes biliões de toneladas de terra em cima, deixar-se marinar e pumba) a alegarem dificuldades no fornecimento/extracção do dito líquido escurinho que teima em desaparecer a uma velocidade alucinante.

Na realidade, os dados mais recentes apontam para um esgotamento das jazidas de petróleo entre 20 a 100 anos a contar de ontem, dependendo de quem pagou o estudo.

Este números seriam alarmantes se por acaso alguem acreditasse neles com algum tipo de fé – no entanto, a situação é levada um pouco na descontra por todos os que deveriam estar de facto preocupados (estilo nós, que estamos bem tramados se ele se acabar nos próximos anos) e de forma menos descontraída pela OPEP e outros senhores que vivem da nossa dependência do vil visco.Dodo1

O facto é que eles estão a ver o seu monopólio sobre o mercado a  atingir uma fronteira evolutiva, como a que levou à extinção de tantas espécies no passado do planeta, fazendo que o agiota da banha do dinossauro se torne, muito em breve, no novo dodo: parvo, tosco e extinto.

Assim sendo, qual estará a ser a preocupação destes senhores?

Vejamos as opções, e deixo-vos adivinhar a escolha deles…

  1. Aproveitar os últimos anos de jugo para devolver algo ao planeta, investindo em R&D de tecnologias alternativas, que permitam a toda a humanidade escapar de dependência do petróleo?
  2. Gastar todo o dinheiro que amealharam em especulação imoral, numa orgia de excessos, comprando mansões, jactos, hoteis, ilhas e clubes de futebol?
  3. Admitir que o petróleo vai de facto durar mais do que se pensa, e baixar os preços, uma vez que os aumentos só se devem as seus interesses, e não à escassez de produção?
  4. Aumentar em incrementos exponenciais, geométricos e aritméticos (pela ordem que quiserem) o preço virtual do brent, do barril da  coisa escura, até limites nunca dantes imaginados, na esperança de ver o que estoira primeiro, se as suas contas bancárias por excessos de zeros, se a vida de todos os restantes habitantes, por falta deles?

Se escolheram a 4, dou-vos os parabéns, mas nem era difícil.

Para os que, dentre vós, se deixaram embeiçar pela 2, uma palmadinha nas costas, mas não está certa, pois tinha truque – já ninguem quer clubes de futebol, nos dias que correm.

Além do mais já deviam saber que a opção com o texto mais comprido está, em 99% dos casos, sempre certa – se não sabiam esta pérola de sabedoria popular, não sei como passaram os vossos teste de escolha múltipla – se calhar eram dos que liam as opções todas até ao fim, pobrezinhos!!!

america Bom, de volta à temática séria.

Conforme já se aperceberam há uma relação directa entre o que os nossos irmãos americanos sentem e nós, meros europeus, como se fossemos siameses, acabamos por experienciar, ainda que só para pior.

Eu exemplifico. Os EUA espirravam, e aqui nós, antigamente, é que nos constipávamos. A desculpa era sempre a mesma – o dólar era uma moeda muito forte, a economia mundial girava à sua volta, todos os circuitos de import-export era de rigeur que passassem pela América, e nem pensar que o velho continente pudesse alvitrar em contrário.

Agora, (in)felizmente, tudo (nada?) mudou – ou seja, os States espirram na mesma mas nós já não nos constipamos sequer. Na realidade, o nosso fraco sistema imunitário, depois de tantos anos a partilhar os germes do nosso irmão siamês, está completamente nas urtigas. Eles tossem e nós entramos imediatamente num estertor de últimos segundos de vida, espasmos dignos de uma pobre sardinha no convés de uma traineira espanhola, tentando em vão adiar o inevitável.euro-vs-dollar

A diferença é que agora a desculpa de sempre não pega – se antes o  dólar era o bad boy do sítio, hoje, aparentemente, numa fenómeno a que por moda se chama bullying, o Euro tomou o seu lugar. Contas feitas, o preço do petróleo em € não aumentou nadinha, antes pelo contrário – e não é que não serviu de nada?

É que, aparentemente, é a história do preso por ter cão, e preso por não ter.

Nunca nos safamos, nem parecemos sair da cepa torta.

Parecemos estar destinados a errar entre gasolineiras, numa busca do preço mais baixo, aqueles cêntimos milagrosos que nos farão justificar o tempo e os quilómetros feitos à sua procura, entre gasóleos mais ou menos aditivados, ainda que praticamente todos distribuídos pela mesma senhora, a tal que se pretende à boca cheia boicotar, como se isso a incomodasse…

Entretanto, pela minha parte, vou tentar andar mais a pé, fazer uns olhinhos aos híbridos que por aí andam (e não estou a falar do Chateau Blanc), ver bem se consigo pôr o bichinho a andar a água, analisar esta história de pílulas para reduzir o consumo dos carros (devem ser tipo Xanax, o carro toma uma e já não anda, logo não gasta) e ver que mais posso fazer para me ajudar já que ouvi hoje o nosso primeiro dizer que a classe média não vai ser contemplada com apoios.

Olha a novidade…

Felizmente que já em 2015 chega um carrito que anda a lixo (pelo menos parcialmente), voa e ainda faz viagens no tempo – deixo-vos aqui o vídeo promocional do fabricante…

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4 respostas a Gasois com e sem auditivos

  1. Zorze diz:

    Isto dos gasois tem muito que se lhe diga. Estamos a viver numa era em que é desta que o elástico vai mesmo rebentar. Dantes esticava-se e afrouxava-se sempre com o cuidado de não partir o elástico, isto era a Técnica de Elástico. Agora perdeu-se a vergonha de vez.
     
    Como os danos colaterais são imprevisíveis, ninguém, pode prever o que vai acontecer. Vai mexer com quase tudo a nível social, laboral, económico, financeiro e político. Já estou a ver manifs com cocktails molotoff, caixotes do lixo a arder, pancadaria com a polícia. De facto sente-se uma energia no ar de que algo grandioso estará para acontecer.
     
    O que entristece é que a questão do preços são tudo coisas imaginárias. É pura ficção e qualquer semelhança com a realidade é coincidência. E não é só no petróleo, mas, também noutros produtos como o milho, café e acções de empresas em geral cotadas nas bolsas mundiais. É a especulação e sobrevalorização do valor das mercadorias que é ficcionado pelos analyzings de fato e gravata que passam o dia à frente de um monitor e phones na orelha com um micro apontado à boca que compram e vendem sem saberem o que é uma maçaroca de milho. Apenas vêem o orgasmo binário de 1\’s e 0\’s combinados de forma lógica à frente dos seus olhos. Essa ficção é tão real que se ganha e perde dinheiro num ápice. Os preços não reflectem os verdadeiros custos de produção.
     
    O Zé Mané paga e não bufa, apenas diz que isto está mau, e pronto.
     
    Um grande abraço,
    Zorze
     
     

  2. Ana Biga diz:

    Como disse um inteligente e proeminente político nacional aqui há uns anos: "Só um adjectivo: GOSTEI", o que só vem comprovar a qualidade e o brilhantismo das bestas a que estamos entregues, sejam privadas, sejam públicas. Em relação a esta história do petróleo só tenho uma sugestão… faça-se um novo 25 de Abril (e desta vez como deve ser, se fizerem favor) que abranja este e outros assuntos em que meia dúzia de pessoas alegremente fazem dos outros parvos com a maior "cara podre" e toneladas de "lata". O problema é que ninguém está interessado em agir melhor, ninguém está interessado na manutenção dos recursos planetários ou numa maior qualidade de vida global, nem em encontrar soluções alternativas, pois anda toda a gente à procura de enriquecer mais e melhor a cada minuto que passa, de forma a poderem realizar as tais orgias que tu tão sabiamente descreveste no teu texto… é evidente que qualquer tipo de boicote é ridículo, e apenas fará cócegas nos pezinhos da dita SENHORA, além de que, como povo de brandos costumes que dizem que somos, amanhã já tudo estará esquecido e será anedota de café.
    Gostava, já agora, de comentar o tal efeito de irmãos siameses a que te referiste (e muito bem) para relacionar os EUA com a Europa. Infelizmente somos meros capachos de qualquer moda, ou palavra de ordem, ou oscilação de mercado que venha de lá. Um dos exemplos mais recentes é a fabulosa lei anti-tabagista para a qual não temos condições nem estamos minimamente preparados, mas que de qualquer forma parece querer vingar aos tropeções… tanta gente preocupada com o valor do petróleo, mas ninguém se preocupa com o mal que a poluição dos carros faz aos pulmões, desde que possam andar de cu tremido dum lado para o outro… mas se alguém acende um cigarro num restaurante é olhado como se estivesse a empunhar uma arma mortífera. Ninguém se rala que tudo o que seja porcaria, como por ex, as cadeias de comida de plástico, tenha sido importado dos EUA e ande a causar danos irreparáveis na carteira e na saúde das pessoas, mas toda a gente se lembra de um boicote que vai fazer tanto mal como uma formiga faz a uma baleia… (ai se ao menos a formiguinha conseguisse nadar, a baleia ia ver o que é bom para a tosse). Mas tudo bem, vão-se queixando e esperneando e não façam nada que se veja, que assim o mundo continua a girar com esta verdadeira praga humana a consumi-lo até ao tutano. Por isso volto a dizer… juntem os assuntos e as queixas todas e façam uma revolução que despache mais alminhas que os terramotos na China e talvez com menos pessoas a caminhar por aí as coisas se comecem a endireitar… para terminar quero só acrescentar que acho muito importante que haja espaços como este, em que se possam debater assuntos importantes e que nos afectam a todos sem excepção como, por ex, as condições em que as sardinhas atravessam as águas num qualquer convés dum barco espanhol. Beijos naturais e isentos de imposto ou de aumento desenfreado.

  3. Teresa diz:

    E assim de repente só me consigo lembrar daquela frase de alto nível cultural: "Ladrõõõeees!! Era matá-los!! As reformas dos velhinhos não aumentam eles!!", mas como não é fino vamos ao que interessa! Quanto a este assunto, acho que pouco tenho a acrescentar, para além da tua indignação tão bem conseguida. A minha pergunta é? Mas agora a escassez de petróleo serve para tudo? O ouro negro, parece-me a mim, está ainda a esconder intenções mais negras! É urgente antecipar formas alternativas de colocar a nossa sociedade em movimento, é verdade!Mas isso não vejo eu! Estarei enganada, ou os grandes governantes estão todos de braços cruzados na barriga, com cara de enterro, e chorosos a lamentar:"…é o petróleo! Coitadinho! Diz que está na últimas!" E que tal descruzar os bracinhos??Num país de sol como o nosso, de ondas, de marés,…será que só as estações eólicas começam agora a ter, timidamente, direito à vida? Senhores!! Tanto campo no Alentejo!! tanto girassol por plantar, tanto biodisel por produzir? É poluente? Coloca outras questões como a falta de água? Pois sim! Nesse caso vamos lamber botas à Venezuela!!Pode ser que nos orientem uns barris a preço de fábrica! Quem fala de Portugal, fala da grande generalidade do mundo. Foi preciso ver a calças a rebentar para procurar remendos! O peixe graúdo ainda vai comprando remendos Channel, mas na feira não há remendos…Temos de ficar com as calças rotas!…Não prometo andar mais a pé. Fazer 70 Km todos os dias não dava muito jeito!! E os transportes público? Oh senhores, falais de quais transportes?? Aqueles que se esquecem que há mais zonas do país do que as grandes cidades? Lamento mas dou aulas um bocadito desviada! Ainda pensei na automotora, mas o apeadeiro fica longito…e eu não estou a precisar de fazer peregrinação todos os dias!…Mas deixai estar…dos 150 euros mensais de "gasóil"uma parte irá para V.Exas…quer eu me queixe quer não.E isso é que interessa!Ficasse a fronteira mais perto…

  4. susana diz:

    Que inteligente  é o meu amiguinho sempre loollol!!!.Pois é o gasóleo e a gasolina estão a atingir preços alucinantes por causa da subida do preço do petróleo,claro para ver se as pessoas fazem mais ginástica ás pernas e se a poluição atmosférica baixa,mas realmente tá a ser uns preços mesmo altos.Li aqui algo incrivel ,tu a começares a andar a pé lololol,devo estar a sonhar será????,e vais a pé para o trabalho nem estou a acreditar no que acabei de ler.
    Bem ,carros a água como combustivel nunca vi,levam água sim mas n.para esses fins ,mas a trabalharem a óleo de fritar isso já ouvi falar sim,n.sei se não ficam fritos lolol.
    Pois carros com asas dava´cá um jeito mas olha que depois é capaz de andar tudo aos choques lá por cima lol,mas que dava jeito dava,e recuar no tempo enfim se fosse para mudar algo para melhor também dava jeito.
    Mas para mim gostava que inventassem um que andasse sozinho,tipo KIT,lololol.
    Bem carro a xanax lool,tadinho do carro ficava logo sem arranjo,mas há uns que precisam aliás acho que são mais os condutores que os deviam tomar,a não ser que com os altos preços dos combustiveis até os carros comecem a ficar doidos,não admira.
    E carros a lixo´,epa isso não senão andam os carros sozinhos mas ninguém consegue ir lá dentro loloololol.
    beijinhos

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