O valor de uma data

Antes de começar a dissertação de hoje, queria aqui deixar uma reflexão que me abespinhou a moleirinha aquando da leitura das estatísticas de visionamento desta página.

Sim, porque eu de vez em quando vou ver quem vocês são, de onde american_psycho vêm, e, em muitos casos para onde vão depois de sairem daqui – EU… SEI… ONDE…. VOCÊS… MORAM!!!

Muahahahahahah!! (riso incrivelmente maléfico, desprovido de sentimentos positivos e possuído de uma incontrolável indiferença ao sofrimento do próximo – ou do anterior, não sou esquisito)

Hum…. Recebi agora um mail do SIS a avisar-me que este tipo de afirmações se classifica como ameaça da integridade física de  pessoa alheia (existe outro tipo de pessoa?), e que como tal, ou modero os devaneios ou vou de xarola fazer companhia à Maddie (onde e como quer que ela esteja).

Bom, nesse caso, de volta ao tema, que se faz tarde…

De cada vez que venho aqui ao cantinho do desvario deixar uma missiva encontro menos de vocês a rondar – nas entrelinhas deste facto é abundantemente claro que não devo estar a ir ao encontro das vossas expectativas literárias, o que quer que isso queira dizer.

Shakespeare2 Um anfitrião atento e cordial mudaria algo na prosa desconexa que normalmente habita este espaço, de forma a permitir quer o regresso das andorinhas bloguísticas, quer a atracção de novas espécies cinegéticas para este fantástico e deprimente habitat.

Felizmente, eu não sou um anfitrião atento (sinceramente – se o SIS ainda estiver a ler – não sei quem são vocês, nem o que fazem aqui a estas horas – as vossas mães sabem que estão aqui, sabem?) e muito menos cordial (a mim basicamente pagam-me para ser educado com os clientes e vocês, pobres iludidos, estão fora dessa categoria, pelo menos enquanto estiverem por aqui – na Agência a história é outra :)).

Ou seja, não vou mudar uma vírgula, nem deixar que os vossos perversos gostos pessoais abalem as minhas convicções, como se de uma sondagem de opinião se tratasse – se querem qualidade e temas pertinentes leiam a Sábado ou a Visão – ou basicamente qualquer outro blog, podem começar pela minha lista ao lado esquerdo desta verborreia.

Se ainda ai estão, vou presumir que querem de facto ouvir o que me fez matutar hoje, o conceito simultaneamente complexo e singelo que me traz de volta aos meandros virtuais da Murronhanha, o que vos torna especiais aos meus olhos – contem com postalinhos no Natal e ocasionalmente uma SMS mais açucarada.

Hum… Acabei de reparar que o contador de visitas está avariado.idiot

O que torna toda esta agressividade reptiliana basicamente inútil e mal dirigida – estou a sentir-me um pouco calhauzinho da calçada…

Vamos então tentar passar uma esponja sobre todo este assunto (tosse desconfortável de quem quer passar despercebido e procurar um buraquinho onde se enfiar).

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Basicamente, reparei que o valor que cada pessoa dá às datas especiais é directamente proporcional à dificuldade que tem em entender porque é que as outras pessoas não partilham a sua opinião.

E isto é por demais digno de risota – ou seja, topem-me bem a incoerência – as pessoas que mais caso fazem da lembrança dessas datas são as mesmas que quando fazem asneira querem que todos se esqueçam depressa. E até tenho exemplos práticos, se quiserem…

Mas estou a desviar-me do principal…

Há pessoas, e todos conhecemos pelo menos uma dessas alminhas, que sabem o aniversário de toda a gente das suas relações, quantos anos faz que alguem faleceu, há quanto tempo o fulaninho e a sua respectiva estão enlaçados, há quantos meses trabalha na sua firma (contados em centenas), numa espiral crescente de datas tão importantes como, em última análise, isentas de qualquer interesse.

Essas pessoas (vamos chamar-lhes Organizers, por falta de algo mais brain pejorativo) sofrem de uma dissociação cognitiva grave, denominada pelos médicos como "Falta de Agenda" (Cranius Insipidus, em latim, para os mais doutos dentre vós).

Se, por qualquer razão, os outros não se recordarem de uma dessas datas, emitirão um ruído que provem do contacto ritmado (e altamente treinado) da ponta da língua (o apex) com a zona palato-alveolar (imediatamente antes dos dentes, para os que acabaram a 4ª classe à noite) – esse som assemelha-se ao Tch, tch, tch (ou Tsk, tsk, tsk em americanês) – este som, meus amigos, significa apenas uma coisa: foram catados – obviamente que não valorizam a pessoa que é celebrada nessa data, obviamente que não relembram o momento em causa e obviamente que não são realmente verdadeiros amigos/amantes/maridos/aficionados (riscar um, vários, todos ou nenhum – divirta-se). 

Hcg_Pregnancy_Test_Urine_And_Serum Estes indivíduos vivem para o reconhecimento que lhe é atribuído pelos restantes elementos do clã, buscando pequenas compensações em expressões como "Sempre soube que nunca te esquecerias desta data!" ou "Se não fosses tu a lembrar-me, eu estaria em assados!", ou ainda "O facto de te lembrares deixa-me tão feliz…" e o clássico e sub-valorizado "O que queres dizer com uns dias de atraso? Foi quando a última vez que me apareceu…!?".

Sim, porque esta gente repara em tudo, mas mesmo tudo. São implacáveis CSI’s do Cotão, guardando dados aparentemente inúteis e csi_logo formando complexas teias de importância onde nenhuma antes existia (e em muitos casos assim continua), são guardadores de coisas descartadas, geralmente não gostam de deitar nada fora, com a máxima "guarda o que não precisas, encontrarás o que te faz falta"), consideram-se guardiões do tempo perdido, e que todos à sua volta nem se apercebem da validade dos seus "serviços".

Estes D.Quixotes dos tempos modernos lutam contra poderosos es-donquijote_390moinhos de vento (a rápida sociedade de informação em que vivemos, em que tudo é descartável), e planeiam, cuidadosamente, eventos em  torno das datas (o misticismo inerente aos marcos da sua vida), esperando que os seus esforços se tornem reconhecidos (triste ilusão), que as suas iniciativas não caiam em saco roto (se os porcos voassem) e que, em última análise, a sua lembrança seja lembrada.

E isto traz-nos à triste realidade de que o mundo está de facto dividido em dois grandes grupos, os que se lembram e os que se esquecem (e nem vamos falar dos que se tentam esquecer e dos que gostariam de se lembrar, isso são detalhes e estragam a perfeita simplicidade da minha ideia).

Resta saber, em que metade do limão estão vocês?2327106

Quase tão importante quanto reflectirem sobre estas coisas, deixo-vos a descobrir em que metade estou eu… Prémios para quem acertar 😉

Uma noitinha descansada e lembrem-se de mim nas vossas orações 🙂

Entretanto, aqui vai uma lembrança de que por vezes uma data pode ser tão importante que teremos de a repetir até sair bem…

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4 respostas a O valor de uma data

  1. Fernando diz:

    Caro amigo Tito, gostei de ver que voltou em força, com o mesmo empenho (e humor de sempre). Não sei mas parece-me que conheço uma ou duas pessoas que se encaixam no perfil dos "Organizers" aqui referidos. Se calhar até são do nosso conhecimento (0386, 0054).  Fica bem e continua a presentear-nos com estes textos que muito nos ajudam a compreender a inutilidade da eficiência de algumas pessoas (eu disse pessoas? se calhar o melhor é dizer "seres").Um Abraço

  2. Zorze diz:

    Meu caro amigo cheguei à pouquinho a casa, vou dar uma geral bem rapidinha nos blogues amigos e sou brindado com mais um excelente artigo, aliás, como habitual neste espaço blogoesférico.
    E já agora por falar em datas, hoje (ontem), a Silvinha fez anos (7 de Maio, que coincidência), então saimos os dois, fomos a um barzito e conversamos, conversamos … (cuidado com essa imaginação para maiores de 18 anos).
    Foi uma noite bastante agradável e dou-me agora a pensar que amanhã (hoje) ainda vou trabalhar. Comentar o teu artigo ainda vai complicar mais essa tarefa. Pode ser que a fila amanhã (hoje) esteja na baixa de Corroios ou na estação de serviço do Seixal e assim …
     
    MostrasteS (o S é para te irritar) com clareza meridiana as pessoas que lembram as datas – os Organizers – e eu que já conheci nesta vida intrafísica algumas que já atingiram o patamar patológico da questão acima supracitada. Lembram e relembram obsessivamente qualquer data relativa a qualquer assunto que impactou suas memórias.
    Tenho a opinião que tudo o que vivemos é importante, mas, os momentos mais dramáticos, os que formam redes neuronais a velocidades superiores à da luz, são, os que gostamos e muitas vezes não, que lembramos constantemente. Às vezes o mais díficil é esquecer (na grande maioria dos casos), mas assim, não haveria; psiquiatras, psicologos, terapeutas e afins. Cada um tem de ganhar o seu quinhão, nem que seja a "tentar" fazer esquecer situações vividas de outrém.
     
    Quanto ao trailer do filme que trazes, já o vi por duas vezes. É um filme brilhante com o actor espectacular – Bill Murray. Nem precisa de abrir a boca, basta olharmos para ele para nos rirmos com aquele aspecto de maluco natural.
    Em que para chegar ao objectivo que pretendemos temos que invariavelmente errar muitas vezes. À medida que evoluimos vamos tendo a obrigação de errar menos. Pelo menos deveria ser assim.
     
    Bem vou dormir as poucas horas que restam antes que despertador se arme em galaró anunciando a alvorada.
     
    Um grande abraço,
    Zorze

  3. Ana Biga diz:

    Sou da opinião que não se devem desvalorizar datas importantes. Concordo com o que foi escrito acerca deste assunto, e sei bem que existem dois tipos de pessoas completamente distintos. Um tipo não liga nenhuma a nada e o outro liga demais a tudo, até à morte do piriquito. Também não vou entrar em terrenos mais complicados, em que seriam definidos os tipos intermédios, senão nunca mais saía daqui, subjectividades não faltam… penso que mais importante que lembrar uma data é saber vivê-la. Se for de facto importante, vale a pena lembrá-la e vivê-la como se fosse a última vez. Ora isto não é tão fácil como parece, é mais fácil não esquecer um dia do que aproveitá-lo ao máximo. No caso de datas românticas, por ex, é vê-los nos restaurantes e esplanadas a celebrá-las com ar de frete. De boas intenções está o inferno cheio, como sabemos… considero-me num dos estados/tipos intermédios, isto é, não sou uma base de dados referente a datas, mas também não pertenço ao grupo dos mais distraídos. Na minha opinião funciona da mesma forma que o tempo real e o tempo psicológico, e o valor dado é directamente proporcional ao que nos vai na alma e ao estado emocional e mental em que nos encontramos. Umas vezes funciona a nosso favor, outras nem tanto, mas é assim a vida, nem sempre as coisas seguem a lógica que desejamos, deparando-nos a toda a hora com vivências e sentires diferentes do nosso. Gostei muito do teu texto, compreendo onde queres chegar, e mais uma vez fez-me rir com gosto, o que é sempre uma bênção, à qual dou mais importância do que possas supor… beijos

  4. susana diz:

    Pois é amiguinho,há pessoas que dão muita importância ás datas,que nunca se esquecem do aniversário dos amigos,por acaso eu também não me esqueço dos aniversários dos amigos,quando sei em que dia são lol,e do teu também não esqueço,mas de facto há datas que são inesqueciveis,no entanto também há aquelas pessoas que parecem ter alzheimer e esquecem-se de qualquer data que seja,o que ás vezes é chato.
    Bem amiguinho,continua a escrever assim que eu vou sempre comentando,e se no teu blogue passam poucas pessoas no meu então devem passar zero porque ninguém comenta lá nada,tenho que ver se ponho lá mais poemas que já escrevi a ver se alguma ave rara vai lá ler o que escrevo e comentar qualquer coisa.
    Olha a parte do limão onde estás,creio que seja na melhor parte na que for maior :-).
    Ainda não vi o teu video mas deve ser bonito.
    beijinhos amiguinho Tito.
    Espero que estejas bem.bom fim de semana
     

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