A vida que vamos ter…

Bem, não queria deixar passar o ano sem falar num dos temas mais actuais e pertinentes para a grande maioria da esfera bloguística que costuma perusar este meu singelo espaço (todos os 3, que vocês sabem bem quem são…).
Nomeadamente, refiro-me ao tal assunto.
Sim, leram bem, aquele de que se tem obrigatoriamente de falar com uma mão em frente aos lábios (e já agora, ó Sr.Zorze, que sei possui uma mente perversa, são os de cima, ok?), o cochicho dos corredores sombrios da A.R., as palavras mudas que se trocam nos olhares dos legisladores (agora dei uma pequena pista, sem querer), os sorrisos nos rostos de tantos e tantos portugueses e o pesar em tantos outros(e isto inclui tambem os imigrantes, legais e ilegais, fiquem já sabendo).
Assim, e sem mais delongas, estabeleço este dia como o Day Before (ou, em português, o Agora é que Isto Vai Aquecer).
Falo naturalmente do Decreto-Lei 37/2007 (vulgo Lei do Tabaco), que pretende mudar para melhor a vida de milhões de portugueses, e a nossa pequena contribuição para uma singela redução no número de mortes por doenças relacionadas com o consumo do tabaco.

Aqui incluem-se, por ordem variável da grandeza:

  • cancros vários (os fumadores podem escolher de um lote mais variado que o comum mortal, desde o da língua(!) até ao habitual pulmãozinho tição),
  • problemas de pele (acne, oleosidade exagerada (vulgo porco seboso)),
  • mau hálito (reminiscente do efeito "morreu alguma na coisa na tua boca, foi?"),
  • complicações cardíacas e circulatórias (normalmente reconhecidas pelo ar de espantado dos visados antes da isquémia e o permanente ricto de surpresa após o AVC),
  • impotência sexual (combatida eficazmente pelo Vioxx, mas com o lamentável efeito secundário de causar frequentemente a morte por enfarte fulminante – pior ainda – antes do orgasmo!)
  • artrose e reumatismo prematuro (esta é nova, foi descoberta pelos jogadores de futebol dos clubes da Bwin Liga, que teimam em não conseguir fazer aquilo para que lhes pagam – menos noitadas e mais trabalho, p.f.)
  • morrer atropelado/agarrado/electrocutado/carbonizado a caminho de uma loja/quiosque/sala de chuto para comprar tabaco/fumar o dito cujo carcará sanguinolento (nas barras anteriores por favor risque o que não interessa ou mantenha todas se preferir)
  • morrer na penúria devido aos constantes aumentos da carga de impostos sobre o inocente maço de tabaquinho tão lindo que ele é, ó pujé? que o Estado leva cerca de 80% logo à cabeça
  • ah, e antes que me esqueça, a partir de 1 de Janeiro podemos acrescentar a este rol de tesourinhos deprimentes, a humilhação de ser multado/coimado/sodomizado à bruta pelas autoridades competentes e poder ser apontado na rua pelas mães preocupadas, às suas crianças "Vês aquele senhor, o que está a fumar? Nunca fales com gente que fuma. Eles querem matar-te com o fumo! Que nojo! Vá lá, atira-lhe uma pedra, que eu ajudo-te, pequenina!"
Tudo isto e muito mais coisas deverão estar a partir de amanhã na mente desses toxico-dependentes que todos nos habituámos a ver espalhados pro esse mundo fora, ora a arrumar automóveis munidos do sempre essencial jornal enrolado (a revista CAIS, geralmente, parece melhor), ora a governar o país – sim, porque se há coisa que o tabaco sempre soube equalizar foi a dignidade humana – tanto fuma o mais pobre como o mais rico. A diferença vai do que se usa para acender (e nalgums casos pontuais o que se fuma, mas isso agora não vem ao caso), já que o sem-abrigo usará daqueles isqueiros Bic tão clássicos como banais, e o Sr. Presidente da Câmara de Vila Nova da Rabona usará um mólho de notas de 500 aéreos.
Mas estejam certos que vão continuar a acendê-los, com maior ou menor dificuldade monetária.
E mesmo bom era passarem todos os maços, charutos, tabaco de enrolar, para cachimbos, etc, para o preço de, digamos, 10 g de heroína. Não estou familizarizado com o preço de rua disto, mas bem cortadinha, com Fermento Royal, (ora noves fora nada, e vão 3, menos 8…) para cima de 1.000 euros, espero – isto ia filtrar os fumadores à séria (normalmente conhecidos como "agarradinhos") dos casuais que julgam/dizem poder desisitir quando quiserem.
Com o passar do tempo passaríamos a ter assaltos nas ruas para comprar tabaco (e assim os fumadores passavam para outra moldura penal num instante) e a haver centros para gestão do endividamento por vício de fumar.
Porque o tabaco, por mais diplomáticos que queiramos ser para com os fumadores na sua generalidade, é uma dependência.
Uma tóxico-dependência.
Como se fosse qualquer droga proibida, (estilo cannabis, heroína, cocaína, crack, ectasy, mulheres casadas), legal (álcool, trabalho, colecções de selos, frascos com a água de banho de gurus cegos) ou simplesmente absurda (ver os DVDs dos Gato Fedorento enquanto estamos vestidos com um kispo verde-tropa abotoada até cá cima, pintar os dentes de preto e usar óculos à Clark Kent, hipoteticamente).
A definição acima não é minha, (a da dependência, não a dos Gato Fedorento) mas da O.M.S., que já a considerou por várias vezes como "um atentado à saúde pública sustentado há mais de cem anos (pela Indústria Tabaqueira e os seus parceiros estaduais)".
Realmente, convenhamos, fumar é… uma cena má. Tipo, tás a ver, não é cool.
E sinceramente, por mais que as campanhas o indiquem, não estamos minimamente preocupados com os riscos de saúde para os fumadores.
Mas é que nem um pouco.
A sério.
Já podem amuar. Ninguem se preocupa com as vossas decisões de saúde pessoal.
Mas quando as escolhas de vida dos fumadores implicam com a vida dos outros, (e aqui aplica-se a grande máxima "A tua liberdade termina onde a do teu vizinho começa"), quando obrigam outras pessoas a inalar o vosso fumo (sim, a tal história do fumo em segunda-mão, que mata tanto ou mais que o inicialmente ingerido), quando não demonstram a mínima sensibilidade para o efeito que é causado por sabermos que ao nosso lado está um tipo (tambem pode ser tipa) que se está nas tintas para nós, quando é solicitado educadamente que apaguem o cigarro e teimam em o manter aceso, quando obviamente demonstram que o vício fala mais alto que a educação e a mais básica preocupação com os outros, como querem que os não-fumadores sintam pena de vocês?
Esta lei só peca por tardia, e certamente será alvo de espertalhões que a tentarão contornar, e de autoridades que serão coniventes com os delinquentes/criminosos que prevaricarem (sim, sim, não tenham dúvidas que a moldura penal é esta), para não falar dos lobbys que só vêm cifrões e margem financeiras e da restauração que fará tudo e mais alguma coisa para iludir a vigilância e/ou mudar/restringir a lei.
Tornaram neste momento, com esta norma, o cidadão preocupado com a sua própria saúde num bufo delator – se fizer queixa, leva rótulo – se não fizer, leva cancro. 
E chamam a isto fundamentalismo?
Amigos, amigos, isso é coisa séria, que geralmente envolve religião e politiquices. E não querer morrer mais cedo por burrice do gajo ao nosso lado não é fundamentalismo: é sobrevivência.
Por isso pensem no que vão fazer em 2008: parar ou continuar, viver uma vida mais limpa ou continuar  a matar os que mais amam todos os dias… Decisões, decisões…
Enfim… Mas adiante.
Só queria deixar aqui alguma justificação para este vituperismo e algum vilipendianismo acima – estou de cama desde 5ª feira, com uma terrível complicação alérgica/virose/rinite/constipação, que me impediu de ir trabalhar e me deixou de muito, mas muito mau humor. E hoje esperava já ter conseguido, mas a febre não me deixou…
Ainda assim, portanto (organizar pensamentos, vencer o torpor da malaise…), bom, queria agradecer a todos os que fizeram deste ano um ano espectacularmente diferente do anterior. Ou não.
Para a minha família, que esteve sempre lá quando precisei (e em muitas ocasiões em que não era precisa, a sério…), para os meus poucos amigos (que são cada vez menos por razões de distância e esquecimento da minha parte) e para os colegas de trabalho e de luta (que talvez vejam a luz com esta nova Lei) desejo um excelente, verdadeiramente incrível novo ano.
Um ano em que as nossas vidas se tornem mais no que desejamos e menos no que o destino nos impõe.
Feliz 2008 para todos e para começar bem o novo ano nada melhor que um videoclip do tempo em que eu usava barba, óculos à Tom Cruise, roupa mais na moda que a actual e dançava e cantava como um babuíno possuído!.
Ai ai, bons tempos… Língua de fora

  

 
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3 respostas a A vida que vamos ter…

  1. Ricardo diz:

    Maninho,
     
    Nos dias de hoje, o respeito pelo próximo é cada vez menor e isso é visível logo no ínicio das nossa vidas pelos relacionamentos que vamos establecendo, quer sejam profissionais ou pessoais.
     
    Nas estradas temos o exemplo mais cruel disso, onde morrem centenas de pessoas todos os anos….
    Para justificar o que acontece, inventam motivos, chamam-lhe excesso de velocidade, pavimento em mau estado, etc…mas a meu ver, grande parte desta sinistralidade deve-se sobretudo à falta de civismo…ou seja, a tal falta de respeito pelo próximo.
     
    Como tudo isto é fruto da nossa "boa" educação, a solução nunca irá passar pelo governo, nem pelas autoridades e nem mesmo pela própria escola…. 
     
    O problema está sim na origem…na famosa "familia" que por vezes de familia pouco ou nada tem e o resultado está à vista!
     
    Enfim…felizmente, não me enquadro nessa infeliz realidade, simplesmente porque tive a sorte de ter uns país fabulosos que fizeram de mim aquilo que sou hoje.
     
     

  2. Zorze diz:

    Começando pelo fim, está muito bom o vídeo. Estes monhês são realmente uma coisa do outro mundo.
    Em relação ao seu post é com muita pena minha que tenho de concordar com tudo o que o Sr.Tito escreveu. Caso para se dizer – Já me lixaram.
    Vamos imaginar que descobriam alguma propriedade milagrosa no cigarro e tinham voltar tudo para trás. Humm, parece que não pega !
    E por incrível que pareça apesar de termos mais informação sobre a nicotina, ainda há fumadores. Incluindo eu, é o meu único ponto de atraso civizicional.
    Mas já agora esta Lei devia abranger outro tipo de malefícios. Por exemplo que tal o Governo Português mandar afixar à entrada dos estabelecimentos de Fast-Food "Comer neste estabelecimento comercial provoca graves danos à saúde". Já repararam que a ASAE nunca fiscalizou estas multinacionais do fast-food ? Porque será ? Humm …
    Portanto concordo com esta nova Lei do Tabaco, terei que me adaptar, mas não se faça dos fumadores o bode expiatório.
    Eu sou mudança e você ?

  3. susana diz:

    É verdade finalmente entrou em vigor a tão esperada lei do tabaco,não sei como irá ser sempre fiscalizada mas parece que muitos Portugueses estão a aceitar bem talvez com medo de ficarem tesos e de ao fumarem a multa lhes saia mais cara que o maço de tabaco,claro que há sempre certos restaurantes e certos espaços que como tem as dimensões apropriadas vão continuar a ter uma área de fumadores,mas ainda bem que entrou em vigor esta lei ou iriramos continuar a pertencer ao terceiro mundo e nunca iriamos andar para a frente e mudar em alguma coisa.
    A dos gatos tb está muito bem metida,por acaso também vi,parece que Vila Nova da Rabona está mais avançada ,festejou o ano novo antes e teve a fazer negócios da China lolol.
    Espero que estejas melhor amiguinho,o teu mau humor suponho que foi de não teres ido trabalhar não é ficaste com saudades do teu trabalhinho não foi lol,pois é eu também me encontro constipada/ com bronquite ,é assim uma coisa dessas aliás no dia de Natal parece que tinha andado a cantar o fado mas não ,não foi nada disso,foi a prenda de Natal e Ano Novo ,uma constipação eheheh.
    Amiguinho apesar da distância,isso não interessa nada,continuas sempre no meu coração e seremos sempre amigos ,este ano que chegou e por muitos mais anos e nunca te vou esquecer,também tornaste o ano que passou num ano muito bom.
    Um Feliz ano de 2008 para ti que realizaes nele todos os teus sonhso e para a tua familia também ,ah e já agora não sabia que eras assim como dizes no teu texto lololo,que engraçado.
    beijinhos amiguinho Tito

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